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Capítulo 10 - Culpados ou vítimas?

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Olga que já era rebelde por natureza há um ano mudara completamente, porém com o dobro daquilo que era intrínseco a si. Observando aquela foto e a citação no verso, o que ocorria com a irmã se aclarava em partes. E todas as respostas estavam dentro daquele diário. Aimée poderia simplesmente ignorar tudo o que estava escrito ali e deixar que as feridas distintas de ambas cicatrizassem com o tempo, sem que uma interferisse a outra, isso era ao menos o correto a se fazer. Contudo, ela precisava das malditas respostas e se naquele emaranhado de conhecidos existiam culpados e vítimas...

Até que ponto a ausência de Dan, irmão mais velho de Denny, era responsável pela aspereza e amargor na vida de Olga? Ou melhor, quando os dois estiveram envolvidos? Porém era fácil deduzir a partir da estrofe da música que aquele amor sempre fora unilateral, porque até onde a própria Aimée sabia Dan tratava ambas como da própria família... Ou as evidências traíam qualquer dedução.
•••
Aimée percorreu as primeiras páginas com rápidas olhadelas. Buscava palavras chaves que interligassem os fatos ou frases que revelassem a paixão que Olga sentia por Dan. E, ao invés disso, Aimée encontrou trechos que retratavam metodicamente o cotidiano da irmã tornando a leitura desnecessária e enfadonha. No início, enquanto passava as folhas sentiu uma fragrância floral bem impregnada ao diário, cujo era o perfume de Olga, e somente quando o olfato acostumou-se com o cheiro é que conseguiu aproximá-lo ao rosto para que pudesse ler melhor alguns garranchos.

A leitura só começou de fato quando Aimée deparou-se com duas páginas inteiras cheias de corações, anotações pelos cabeçalhos e rodapés e uma foto impressa colada no canto superior esquerdo de Dan. Facilmente comparada àquela que estava solta, pois nas duas Dan estava com a mesma blusa. Parecia até inevitável não gozar silenciosamente da irmã que agia como uma donzela enfeitiçada. Mas em questão de segundos obrigava-se a rebater tais pensamentos com a imagem de Dan e algumas palavras de saudades expressas por Olga. Era triste lembrar-se dele. E outros sentimentos só foram expostos em vários trechos soltos, páginas depois, como:

“Ele ainda me faz falta. Mesmo que em presença compartilhávamos o silêncio...”

“... eu poderia ter evitado, mas eu não fui capaz de fazer nada. Perdoa amor!”

“Eu amo tanto ele e agora ela não está mais junto a mim, mas sabe que eu o amo, porque ele é meu Anjo.”

Enquanto lia aquilo Aimée se permitiu chorar, porque era de alguma forma estranho ver o mundo da janela de Olga. Um mundo preto e branco enveredado por jardins de plantas secas. E naquele momento tornava a pensar que Denny também havia conseguido destruir seu mundo, porém tinha ímpetos de combater todo aquele mal que havia caído sobre a sua vida. Ainda havia muito que descobrir. Porque era indiscutível, Olga sabia muito mais sobre a morte de Dan.

“... eu poderia ter evitado, mas eu não fui capaz de fazer nada. Perdoa amor!”
(...)

Olha eu voltando com o conto. Eu nem me lembrava mais que tinha escrito esse capítulo em novembro do ano passado, sério. Aí a Joyce me lembrou esses dias e eu fui parar pra relê-lo e pensar num caminho a dar. Talvez, em breve, já poste o próximo capítulo. Percebi muitos vícios de linguagem (re)lendo-o, então deem um desconto.
Beijo pra quem é de beijo

Capítulo 9 - A foto

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Os primeiros minutos com o diário em mãos fez Aimée sentir fagulhas de receio e vergonha. Afinal, apesar do pesares, Olga era sua irmã. Olhou diversas vezes a capa e reparou como havia sido minuciosamente decorado pela irmã caprichosa e detalhista. Não podia negar, Olga possuía bom gosto – não para amizades, longe disso – mas sim no quesito material; suas coisas eram escolhidas com certo rigor e em matéria de estilo ela sem dúvidas era a pessoa mais aconselhável a se pedir uma opinião sincera. E ainda havia isso – Aimée admirava a irmã de alguma forma pelo que ela representava, às vezes, provocando-lhe uma dose de ciúme e outra de inveja.

Quando concluiu esse pensamento, Aimée deslizou sobre o lençol da cama deitando-se, cerrou os olhos, trincou o maxilar e disse mentalmente o seu novo mantra: “ela me pedirá perdão por permitir o que ele fez e não me importo com o que eu tenho que fazer!” Então sentiu a textura emborrachada do e.v.a. utilizado na encadernação e deixou que as páginas tornassem a virar e alguns papéis caíssem sobre seu corpo, enquanto suas mãos pendiam para um lado e para o outro, numa brincadeira relaxante antes de iniciar a leitura. Contudo ela não parou e, talvez, numa vã tentativa queria descobrir algo valioso sem ao menos ler, abriu os olhos e concentrava-se entre os vãos cujas páginas permitiam-lhe apenas bisbilhotar os borrões do que ali verdadeiramente estava escrito. Ela sabia do risco que corria sobre enfrentar Olga e mais ainda agora por pegar o diário dela.

Ela posicionou-se sentada na cama e juntou o que havia caído de dentro do diário. Alguns papéis que pareciam recadinhos de amigas e três fotos – uma da própria Olga aos cinco anos de idade e ela com apenas três anos; outra de Mabelle quando ambas ainda estudavam no educandário e a terceira fez Aimée ficar confusa... Quantas perguntas eram possíveis fazer sobre tal? Nem ela mesma sabia o que perguntar quanto mais responder. O resquício de ar que conseguiu prender durante aqueles segundos em que percorreram infinitos pensamentos foram calados ao ler a mensagem escrita no verso da foto:

"Mas eu quero você, eu preciso de você."
(I Want You)

Saliva traduz o que eu sinto!
O ♥ D

E a flor desabrochou. (?) Provavelmente eu só fique atualizando agora sobre o conto até que minha vida se estabilize. E agradeço a quem ainda me lê de coração! Logo respondo e leio quem deve minha atenção e meu respeito. :D
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 8 - O diário

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Aimée se dirigiu rapidamente à sala de aula após o evento ocorrido nas quadras do colégio e quando adentrou o ambiente que se encontrava em plena desordem fez-se silêncio. Ela que era tão envergonhada enrubesceu, pediu licença para o professor de matemática e sentou-se numa das cadeiras vagas no canto direito próximo a porta. Enquanto todos a observavam acomodar-se atrás estavam sentadas em dupla Rebecca e Zohar. Ela sabia que não era um bom lugar, pois ambas tinham fama de fofoqueiras e o que ela menos precisava naquele momento era virar o assunto principal delas e do colégio. E lhe pareceu que em todas as quatro aulas antecedentes ao intervalo as duas ficaram sentadas ao lado, atrás ou a frente dela. Agora só faltava Aimée ficar com mania de perseguição, mas não era engano seu. Elas jamais se aproximaram mais do que um metro e meio e aquela situação estava ficando detestável. Porém durante o intervalo Aimée refugiou-se nos fundos da biblioteca, bem perto do almoxarifado reorganizando seus papéis e sua mente até soar o sinal da saída. Não havia ânimo para a aula dupla de redação, então esperou que o tempo se arrastasse até que pudesse sair do colégio sem ser notada.

Quando pôde colocar os pés para fora do ambiente escolar sentiu-se aliviada. Atravessou a avenida movimentada e sozinha percorreu o caminho de volta a casa. Ela estava matutando alguns planos maquiavélicos, mas ela, sinceramente, não era boa naquilo. Parecia até impossível arquitetar uma vingança e pô-la em ação. Entretanto, vingança não passava pela sua cabeça e naquela situação ela não conseguia ver outra saída até lembrar-se da agenda de Olga. Sim, a agenda-diário dela! Talvez, fosse um caminho perigoso a seguir, contudo ela sempre escrevia nele e sabe-se lá o porquê seria muito útil, ainda mais se Olga desvendasse alguns de seus segredos infames e evidenciasse seus defeitos. Como as duas eram diferentes até nisso - Aimée desenhava para afagar as dores e alegrias e Olga as escrevia.

Ao chegar, Olga já estava sentada à mesa junto com a mãe. Ambas a olharam e reagiram diferentemente – Léa com um sorriso estonteante de mãe e Olga com o desprezo típico estampado apenas no olhar. E antes mesmo de juntar-se as duas, Aimée foi até o quarto deixar sua mochila e após trocar-se retornou à copa. Ela tinha tudo em mente, se Olga saísse naquela tarde, ela iria entrar no quarto da irmã e procurar o bendito, ou maldito, não sabia bem, diário. E assim o fez...

Olga conseguia sempre persuadir a mãe e essa sempre recaía aos pedidos da filha mais velha. Olga realmente enfeitiçava as pessoas; não possuía medo de destruir o casamento dos pais e isso nem se ela fosse o motivo pelas constantes brigas entre os dois. Aimée revirou o quarto de Olga e tentou deixar tudo no devido lugar, porque sabia que a qualquer deslize poderia ser acusada, ou não, já que a empregada levava a culpa quase toda quando alguma coisa sumia. Era de praxe a própria Olga pegar algo da mãe e colocar a culpa em uma das coitadas. E, agora, Aimée aprenderia a utilizar da mesma tática da irmã.

Para a sua felicidade Olga era mais tonta do que ela pensava. O diário fora encontrado embaixo do colchão num fundo falso, onde o próprio Emanuel mandou fazer para que cada um pudesse guardar suas coisas de valor estimado e trancado com um cadeado. Porém Olga uma vez perdera a chave e quebrou o cadeado e nunca pedira outro ao pai. Então a tal caixa (o fundo falso) ficou sem proteção e ela apenas guardava seu diário ali. E se ela não escrevesse nele todos os dias nem sentiria falta. Aimée não queria ficar com ele para todo o sempre a chantageando, seria apenas um pequeno susto para que ela não voltasse a fazer o que fazia.

Vou tentar publicar um capítulo por semana, ou não. Algo a criticar, reclamar ou elogiar deixe como comentário, ok?! Acabei caindo no clichê do "diário", mas... Como cada um é único esperem no que vai dar. Só para atualizar aqui: fiquei em 2º lugar no BK e em 3º no O.U.A.T. mega feliz! (:
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 7 - Versus

Durante o percurso até a casa todos permaneceram em um silêncio fúnebre. E ao chegarem parecia que tudo ia desmoronar. Emanuel ordenou que as três se dirigissem à sala. Então, cada um pôs-se numa das poltronas bem distantes encarando-se uma a outra. Naquele momento até Léa temia ser culpada. E logo o chefe da casa iniciara seu discurso, ou talvez, uma palestra de boas maneiras e responsabilidade. Aimée ouviu indiferente, pois todo aquele sapo não era direcionado a ela e, sim, à Olga. Enquanto ele enrubescia de ódio, profanava que ambas não foram criadas para atingir tal ponto de imbecilidade e se o evento se repetisse Olga teria que voltar a morar com nossos avós paternos no interior de Minas Gerais, lugar cujo ela detestava por motivos desconhecidos. Afinal, apesar de serem do interior, a pequena cidade já era bem movimentada e estava a par das modernidades, portanto ela não ficaria perdida no tempo.

Olga em nenhum segundo tentou se defender. Manteve-se calada com um sorriso irônico nos lábios. Aimée evitou olhá-la a todo o custo, porque ela sim queria delatar a irmã, mas não precisava disso agora. Esperaria que tudo se acalmasse, a mente maquinava como conseguiria atacá-la. E sabia que aquela seria apenas mais uma conversa vã do pai para com ela. Olga repetiria o feito alcançando níveis mais altos era assim que sempre acontecia. Contudo, ela não possuía mais a ajuda de Mabelle – outra a qual teria que passar por um interrogatório, mas não de seu pai e sim de Olga - o instinto de vingança dela era apurado e só naquele instante Aimée percebeu que havia metido Mabelle também numa enrascada.

Quando todas foram dispensadas, cada um foi para o seu quarto. E Aimée percebeu que o batalhão de empregadas já havia tratado de arrumar a bagunça da noite anterior. Uma pena, porque seria um castigo e tanto se Olga fosse obrigada a ajeitar a casa toda. Quem sabe ela até não convidaria os amiguinhos para participarem da faxina... Aimée até riu jocosamente, mas outra vez conteve-se. Aquilo não chegaria aos pés do que ela realmente queria para a irmã. E quando começava a pensar como arrancar algo de mais podre e fétido do passado e da vida mesquinha dela, a porta de seu quarto abriu com violência e Olga adentrou e ameaçou-a:

- Se você pensa que vai sair ilesa dessa história, você está muito, mas muito enganada, irmãzinha.

Ela parecia querer chorar, pois a voz estava embargada e os lábios tremiam, enquanto ela tentava terminar a frase. E Aimée só teve tempo de responder:

- Você até pode ser do meu sangue, Olga. Mas jamais, escuta bem: ja-mais deixarei que você faça o que quiser comigo e com a minha vida.

Foram as últimas palavras trocadas entre as duas.

Pelo decorrer do dia, Aimée não sentiu fome nem frio, sequer vontade de viver. Amuo-se escondida em seu quarto passando a observar tudo o que era seu até lembrar-se de seus rascunhos e desenhos. Olhando um a um, todos pareciam sem sentido – diferente deles sua vida agora estava sem cor. Os traços e a cada detalhe meticulosamente feitos remetiam-lhe a um passado distante, onde sua mente perdia-se em outros mundos e pela ponta do lápis ganhavam vida; e sua vida era aquela a do lápis e borracha. Aliás, nem todos os desenhos estavam perfeitos, alguns possuíam marcas cinza bem clarinhas de algum erro. E a vida real agora é que não podia ser apagada, tampouco refeita. Seria a cicatriz que ela iria carregar para o resto da vida... E isso a fez chorar mais para si. Não fazia mais sentido tracejar, afinal não era mais uma menininha, pois fora obrigada a virar mulher pelas circunstâncias.

E naquela noite aconteceu... De ela juntar todo o seu passado e jogar ao nada como se fosse suficiente para esquecer-se da felicidade em que sentia quando os fazia. Sabendo que estava sendo observada apenas fez o que queria no pátio aberto do colégio, e partiu para no dia seguinte acordar cheia de pesar por desfazer-se deles e voltar ao local para procurá-los rezando baixinho para que todos ainda estivessem em ótimas condições para guardá-los.

É isso: voltei e devagar e sempre. rs Não vou me prolongar, mas perceberam layout novo? (: Sei que sou amadora nisso, mas me baseie principalmente nas cores de outros blogs que eu gostei, oks? Sobre a Saga, alguém aí quer que eu mate todo mundo e acabe logo? Deem sua opinião sincera, porque está longe de acabar, viu. Obrigada todos pela paciência e Tati minha trenzinha e xuxuzinha pelas homenagens e textos e, principalmente, pela amizade! Clicando sobre a imagem veja os capítulos anteriores.
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 6 - Subversiva

Leia os capítulos anteriores: 1 - 2 - 3 - 4 e 5.

A angústia que Aimée sentia fazia parecer que a noite prolongava-se pela velocidade das mentiras, desculpas e invencionices que passavam pela sua atordoada mente. E repelia os pensamentos que a enojavam. Porém era incapaz de sentir o sabor dos lábios de Denny e não querer esbofeteá-lo junto à irmã. Pois Aimée a via como cúmplice dele. Ela que tanto poderia tê-la ajudado, ou simplesmente, o afastado e evitado todo aquele mal entendido. Mas não... Olga jamais seria uma boa irmã. Aimée já estava quase se convencendo a não falar nada para seus pais tampouco fazer-se de vítima perante Mabelle, a qual sabia em partes do que havia acontecido. Brincaria com o que Olga tinha de melhor, sua imagem contra os próprios pais. E contaria a ela o que o seu tão querido amigo Denny havia feito com ela. Não sabia ainda como montar o quebra-cabeça, contudo o faria se necessário. Olga se sentiria culpada pelo menos uma vez na vida.

Pela manhã ambas ficaram esperando notícias de Olga e seus pais. E somente por volta das dez e meia é que Matheis adentrou a casa seguido de Emanuel e Léa, os pais de Aimée. A feição de Emanuel era de descontentamento, enquanto Léa abria um sorriso de alívio em ver a filha bem. Ambas se abraçaram por um longo tempo, momento cujo Aimée teve ímpetos de chorar, soluçar e contar-lhes tudo. Os olhos até se encheram d’água, porém conteve-se. Seria melhor assim, sem dramas. Aguentaria sozinha se preciso o que havia passado.

Emanuel agradeceu ao amigo e sócio Matheis pela acomodação de Aimée em sua casa e tratou de apertar afetuosamente a mão de Mabelle por mostrar-se prestativa.
Ao sair da casa Aimée viu que Olga estava dentro do carro e manteve-se quieta, porque seu pai vinha logo atrás dela e da mãe. Mas não resistiu e perguntou baixinho para a mãe:

- Então, o delegado pagou quanto para vocês trazerem ela de volta?

O sarcasmo expresso na pergunta até fez Léa rir e mesmo tendo que lutar contra sua própria vontade respondeu a Aimée:

- Pare de gracinha! Em casa conversaremos... Seu pai está bufando de raiva.

Quando Aimée entrou no carro encarou a irmã, porém ela não parecia preocupada em notá-la. E se tivesse a olhado face a face teria sido como um fuzilamento, pois Aimée a xingava internamente e experimentava pela primeira vez uma vontade louca de destruir aquela que era do seu próprio sangue.
Mais um capítulo e espero que agrade. As ideias fluindo aos poucos! :D
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 5 - Dúvida

Mabelle com seus dezenove anos conhecia bem a arteira Olga e melhor do que ninguém a encobria em todas as enrascadas as quais ela se metia. E ao ver Aimée ali, sentiu um calafrio percorrer o corpo e antes mesmo de se aproximar da cama, encostou e fechou a porta; acendeu a luz do quarto e direcionou algumas perguntas simples à menina:

- Aimée, porque você estava com a porta aberta? Você normalmente fica no seu quarto. Porque você está chorando? Olga tem culpa nisso, não tem?

E ela permaneceu num silêncio lúgubre. Quando Mabelle viu a pele dos ombros dela despidos, sentiu as pernas cambalearem e imaginou as perversidades que as paredes daquele quarto presenciaram... Durante uma hora, Mabelle ficou aninhando-a em seus braços, e acalentando-a com palavras sinceras e encorajando-a a sair dali que deixasse ser cuidada devidamente, porém não conseguiu arrancar dos lábios de Aimée quem foi o rapaz que fizera tudo aquilo com ela.

Recordar do infortúnio foi mais doloroso do que os minutos que passaram com ele; ela sentira duplamente a náusea que as lembranças causavam-na. Ao se levantar lastimava-se pelo corpo impuro. Mas não se queixou em voz alta apenas em pensamento e uma vontade enorme de estragar com toda a falsa felicidade da irmã.

Mabelle a levou para sua casa e de lá ambas tomaram a atitude mais sensata a se fazer, ligaram para a polícia e cerca de trinta minutos depois, o número de Olga iluminava o visor de ambos os celulares - ora o celular de Aimée, ora o celular de Mabelle tocando insistentemente.

Quando o sono começava a bater sobre o corpo e a mente fracas de Aimée, o telefone da casa de Mabelle tocou e para o espanto dela, o número no identificador de chamadas era o pai dela, Matheis, – estranhou, afinal, ele estaria com os pais de Olga e Aimée. E para seu espanto seu pai lhe ordenou que não deixasse ninguém tirar Aimée de lá, pois pela manhã todos estariam de volta à cidade, e durante aquela madrugada Olga permaneceria na cadeia provisória da delegacia e no dia seguinte o advogado da família tomaria as decisões cabíveis à situação. Ao contar isso a Aimée ela pareceu mais aliviada, porém, nos pensamentos Aimée divagava denunciar Denny. Ainda não tinha certeza e temia por sua segurança, se ele foi capaz de violentá-la poderia ir muito mais além...

Partes: 1, 2, 3 e 4.
Vou tentar terminar logo isso, prometo. E também posto e indico os selos que recebi.
Beijo pra quem é de beijo!

Capítulo 4 - Inocência Tocada

A mão pesada e larga de Denny a machucava e quanto mais tentava desvencilhar-se dele maior era a pressão de seus dedos no braço delicado de Aimée. Por se concentrar, única e exclusivamente, na mão dele parecia que sua necessidade infindável de gritar não vingava, porque da garganta sequer um a saíra. Aos poucos foi perdendo as forças e com as pernas trêmulas tinha a impressão de que Denny a arrastava pelo amplo corredor. Esbarrando-os em uma dúzia de pessoas sem nem repará-los. O olhar de Aimée era de suplicio, contudo ninguém o notou.

Ele entrou no segundo quarto à esquerda, empurrou a porta com violência e ordenou que Aimée permanecesse em silêncio, enquanto ele terminasse de fazer o que ele tinha pra fazer...

Aimée encarou-o com fúria, custou a reunir suas forças novamente e partiu para cima dele - a chutes, pontapés e com as unhas compridas arranhando-lhe os braços e rosto. Porém de nada adiantou. Parecia até que aquela súbita ira o atiçava, excitava. Ele, por sua vez, apenas segurou-a pelos antebraços e a derrubou na cama de casal. Só houve tempo de assustá-la ainda mais. Deitando-se por cima dela segurando novamente os braços e inclinando-se levemente para frente provocando-a. O hálito forte de álcool penetrou as narinas de Aimée que logo tossiu fazendo-a virar o rosto para o lado. E ele sussurrou em seu ouvido o que ela temeu nos últimos minutos: - “Você será minha por essa noite, princesa.” O inevitável estava acontecendo... Ela desistira de lutar, afinal, só ela se importava consigo, ninguém sentira pena dela nem a própria irmã – se é que Olga podia ser chama de irmã.

Denny tirou a própria blusa e aproximou-se dela, forçando-a a beijá-lo na boca. Seu gosto era horrível e abruptamente seu corpo era entregue a ele de forma impetuoso. As vestes de ambos foram parar no chão e ela tentava permanecer com as pernas cerradas chorando em silêncio, enquanto ele forçava o membro rijo a tocar sua inocência. O corpo dele era esguio com tônus muscular em seu um metro e oitenta e dois centímetros de pele alva e cabelos lisos escuros - e agora ele estava sobre o seu, esmagando-a e desejando-a insanamente, rasgando-lhe o véu.

Quando ele terminou pareceu cair em si. Vestiu-se rapidamente, não olhou para trás e fugiu. Algumas pessoas passaram pela porta e viram Aimée deitada, encolhendo-se no lençol manchado e suado. Quando Mabelle, uma amiga de Olga de infância também, adentrou no quarto escuro e viu que quem estava na cama era Aimée aos prantos.
O significado do nome condiz com a pessoa? Veja:
Aimée: a amada
Olga: santa.
Mabelle: minha querida.
Beijo
pra quem é de beijo!

Capítulo 3 - Preâmbulo

As vagas lembranças daquele primeiro contato com os rapazes do colégio ainda fazem Aimée sentir-se uma completa idiota e todos os sinônimos cabíveis para si em tal situação. Pelos corredores do colégio quando os encontra é óbvio que ela ao menos consegue lhes encarar. Mas recordar-se do motivo em especial que a fizera revoltar-se naquela noite é como recomeçar a sentir o estômago embrulhar-se e os sentimentos revoltando-se à flor da pele...

Em flashes repassa todas as cenas: as gargalhadas de Olga, a irmã mais velha e os amigos no cômodo ao lado ao som de músicas de letras ininteligíveis e ritmo ensurdecedor... Apenas ao retratar assim parece sutil do que verdadeiramente estava acontecendo.

Olga com dezoito anos possuía um comportamento típico de menina americana desses filmes apelativos, e se ela não conhecesse a peça em pessoa e alguém a descrevesse para si diria no mínimo que era mentira. Porém sim, ela existia e era uma versão do demônio de saia. Continha a mesma beleza de Aimée, somente com o cabelo preto, liso e curto e os olhos cor amêndoa; e de personalidade bruscamente inversa a de Aimeé.

Naquela quarta-feira, os pais de Aimée iriam a uma viagem de negócios na cidade vizinha e ambas ficariam sozinhas. Olga sempre se aproveitava dessas situações para ajeitar uma festinha particular e levar consigo os amigos pervertidos, os quais Aimée detestava. Todos a queriam ali por perto, contudo ela trancava-se no quarto, ligava o som no máximo e colocava os fones de ouvido, concentrava-se nos mundos que queria para si e por vezes, ficava desenhando, perdida em sua imaginação até que o sono batesse e já cansada caísse desmaiada na cama.

Todavia naquela noite em especial, ela não estava a fim de suportar a mesma coisa, pois no dia seguinte ainda teria aula. Logo, resolveu dar uma espiada pela casa e tentar convencer Olga a desistir da ideia e dispensar a trupe barra pesada. Mas aos primeiros passos dados rumo à sala viu que os primeiros convidados encontravam-se bem altos – um casal se pegava forte no sofá e um pseudo – skean head preparando cocaína injetável. Observando aquilo Aimée sentiu um calafrio pela espinha dorsal e disse para si: “Se ela não concordar eu saio de casa, chamo a polícia e só apareço depois que os meus pais chegarem”.

E como previra a conversa não foi nenhum pouco amigável. As duas trocaram farpas até Aimeé cansar-se e sentir uma beliscada no bumbum. Quando se virou e viu que era Denny, um amigo de infância de Olga cuja mãe de ambas era apaixonada e o nomeara “o genro perfeito”, bufou de raiva e olhou-o quase que pedindo piedade. Quem sabe ele não convencia Olga e todos ficariam felizes – doce sonho. Na tentativa de iniciar o diálogo com Denny ele inclinou-se para frente, e tentou beijá-la na boca e acabou passando por um fino se ela não tivesse desviado. Era isso, não tinha jeito... Enquanto ele ria de si mesmo, segurou o braço de Aimée e pediu desculpas. Ela sabia que não havia mais o que falar com ele, porque todos ali eram uns babacas dispostos a tudo para viver uma vida regada a sex, drugs and rock’n roll.
Espero agradar! :D
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 2 - À segunda vista

Gael ainda se lembra quando a viu pela primeira vez face a face. Sob a escuridão da noite, uma estranha permaneceu inerte a olhar o horizonte do alto da arquibancada das quadras do colégio, as quais eram descobertas e a visão à noite era estarrecedora. Como a cidade era num pseudo-morro, em pontos estratégicos podia-se observar a pequena cidade sem grandes dificuldades.

E às 20h30min daquele dia, enquanto conversava com os amigos ao final do treino de futebol seguiu os movimentos bruscos que a menina subitamente iniciou como num verdadeiro surto: atirava folhas e folhas ao ar... O vento era fraco, não as levariam a lugar nenhum, mas ela continuou com veemente persistência. Ele mesmo tratou de apontar o dedo para ela, a qual em poucos minutos foi o espetáculo da noite. Pois estava claro que se desfazia de algo que não queria olhar mais, ou se lembrar. Tentavam decifrar sua atitude de rebeldia, contudo ninguém sequer chegou perto de adivinhar o que verdadeiramente sentia.

Os cabelos cobriam-lhe a face, e mesmo se o mostrasse, na negritude do local, não perceberiam as lágrimas tocando a pele de veludo, os olhos vermelhos de fúria e o ranger de dentes, evitando que as palavras rompessem seus lábios; então as engolia secamente de raiva e jogando para o nada seus resquícios nas folhas de papel.

Por cerca de cinco minutos ela terminou sua desesperadora atitude, tomou nos braços a mochila, subiu os últimos dois degraus e partiu. Lá embaixo, Gael acompanhado de Dario, Otto, e os gêmeos, Rui e Tomás e o professor Marcelo perguntavam-se se deveriam segui-la e procurar saber se estava bem, ou ficariam quietos com receio por tratar-se de uma desconhecida. Para todo o caso escolheram a segunda opção, e logo também se despediram e cada um seguiu o seu caminho.

No dia seguinte, Gael e Otto foram as quadras no primeiro horário para pegarem as redes do gol a pedidos do professor, e encontraram uma menina subindo e descendo feito uma tonta pela arquibancada. As folhas estavam apenas espalhadas por todo o canto do pátio, e ela as recolhia com ar esbaforido e de arrependimento. Os dois se entreolharam e a reconheceram, não se tratava de uma estranha, e, sim, de uma aluna, mas ainda era desconhecida. Otto apenas fez um prólogo de um diálogo mental, porém ao olhá-la as palavras fugiram-lhe à boca e ao olhá-la frente a frente ficou absorto – não somente ele, mas Gael até esqueceu-se do próprio nome. E ela proferiu rudemente com sua voz doce:

- Não quero ajuda! Eu sei que me viram ontem aqui. – Continuando à busca pelas suas tão queridas folhas e retrucando consigo mesma baixinho – Ai Aimée, seus desenhos não têm culpa. Eles são suas preciosidades.

Ambos tentaram disfarçar a tolice de terem ficado mudos olhando-a. E distanciaram-se sabendo apenas de duas coisas, se ainda se lembravam de como contar: Aimée era o nome daquela adorável criatura e por todo aquele ano ela enfeitaria suas manhãs com sua silenciosa presença.

Os capítulos estão ficando bem grandinhos, quem estiver acompanhando diga-me se quer que eu os divida ou não, ok?! (: E ah, se encontrarem algum erro de coesão e coerência avisem-me também. E não estou conseguindo comentar no blog da Vanessa Monique .
Beijo pra quem é de beijo!

Capítulo 1 - A amada

Aimée andava pelas ruelas da pequena cidade com olhar baixo, pés arrastando-se nos ladrilhos e as mãos unidas, quase que orando constantemente. A aflição não a abandonava mesmo fora de casa. Com as brigas dos pais todo o dia adiava a volta a casa e seu refúgio era perder-se em qualquer esquina, acompanhada de seu celular, onde poderia escutar suas músicas favoritas e fotografar momentos únicos... Como naquela tarde, datada 14 de maio de 2006...

Concentrava-se nas pedras ao roçar sua sapatilha no chão de concreto rachado e o tédio fazia-lhe companhia. E sentia que a qualquer lugar que fosse a solidão lhe arrastava para um negrume – as pessoas afastavam-se, ou desapareciam, ou sequer a notavam – e daquele efeito já havia se acostumado; fazia o que tinha para fazer em determinado local e se retirava agradecendo a quem lhe atendesse e desculpando-se com os fantasmas por ser uma completa inútil, como sua irmã costumava-lhe chamar.

Porém, do outro lado da rua um rapaz sentado a um banco colorido em frente a um prédio a olhava pensativo. E ela não o notou. Aliás, esquivava-se dos olhares inquisitivos que passavam por ela pela calçada, permanecendo quieta para si, porque se não fossem seus pés inquietos com cada grão no chão, todos diriam que ela era um menina qualquer. Todos reparavam nela. Os cabelos longos ondulados cobrindo-lhe os ombros, trajando a blusa de colégio federal, calças jeans desbotadas e sapatilhas cor vermelha. E chamava bastante a atenção, principalmente, quando fitavam seu rosto de expressão forte, traços angulosos, sobrancelhas bem desenhadas, o lábio superior mais grosso que o inferior e a cor dos olhos eram de beleza ímpar – cinza que sob a luz mascarava-se de esbranquiçado macabro, quiçá para todos, atormentador.

Contudo, de longe o jovem Gael admirava-lhe a beleza, mesmo não podendo tocá-la a face, os cabelos; despia-lhe com a imaginação, mas logo a vestia, por tratar-se de exuberância distinta e, talvez, intocada. Sentia-se como um adolescente sujo ao pensar daquela forma sobre Aimée, pois o corpo reagia de forma impulsiva e não queria aquilo com ela e tratava logo de repetir a si mesmo – “Não, não e não”. Impulso que poderia sobrepujar suas pernas, as quais permaneciam trêmulas mesmo sabendo que Aimée estava distante, mas era presença visível e suficiente para tornar-se inquietante para Gael.

Olá, pessoal! Bom, "estou de volta". Não sei se vou conseguir manter o blog, mas vou na fé. E para começar escrevi um conto que só está escrito dois capítulos e quero saber se vai render alguma coisa. Quem me sugeriu foi a Tati. (: Foi a saudade que me fez voltar... E blog de visual novo, com muita paciência a Jana quem me ajudou, um muito obrigada! ;D
Beijo pra quem é de beijo.