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Ela;

Era menina, não a culpe, aquele sentimento vivia nela. Quantas vezes o viu partir – por entre seus dedos, olhos, corpo e da imaginação? Mais uma vez o perdia. Deixava-a ali de mãos atadas à vazias, de olhos alegres a miúdos e vermelhos, de corpo entregue à margem de si, repentinamente, tudo ilusão. E ele que não chegara a provar dela como ela queria, agora reconhecia que nenhum pedaço de si ele merecia. Ela que foi tão por inteira dele permitia que outros lhe invadissem, consumindo-a e partindo sem adeus. Sem falsas promessas, sem mais quereres. Com medo da redenção continuou ali inerte entre paixões torpes aumentando-lhe sensações passageiras ao invés de se arriscar e achar que era digna de amor. Porque não importava o quanto se arrependia sobre o último a tê-la, se debulharia, suspiraria e mentiria sobre o que cada um representava em sua vida. Todos – ele e os outros, sem exceção – transformaram-na em fria e vazia.

A menina não tem nada.

O rubor enfeitava o céu, enquanto a noite aproximava-se e no ponto alto da escuridão alaranjava-se. Annie acompanhava da janela do quarto a mudança do céu, a falsa negritude e a temperatura do fim do outono. O rosto apático, as bochechas sobressalientes avermelhavam-se e os lábios quase roxeados de frio pareciam lhe transformar numa boneca que ganhava vida ao anoitecer. Mas ninguém suspeitava quando ela debruçava-se ao batente que seus devaneios eram cheios de porquês e seu coração, coitado, era acusado de insensato, frio e desesperançado.

Os momentos haviam se acumulado desde que aquele sentimento partira e a sensação de vazio instalara no peito. A introversão parecia contagiar os demais e, sorrateiramente, afastava aqueles poucos que ainda lhe eram próximos. Ah, se eles soubessem que aqueles olhos que antes carregavam a sapiência e a curiosidade da juventude somente choravam ao encarar o além e o céu... Ela só precisava de um abraço acalentador, de uma palavra de conforto e um sorriso sincero, para desanuviar os pensamentos e voltar a acreditar em si e nada vida.

Os sonhos silenciaram-se. E naquele inverno, em virtude do cansaço e da busca por respostas, a fim de cessar o seu sofrimento, apenas esperou que o frio se acercasse para amuar-se na cama, debaixo dos lençóis, sobre lágrimas lamuriosas a espera da primavera. E haverá um dia, desses muitos tíbios, que ela não poderá fugir, porque a dor se dissipará da alma e o corpo, enfim, se encontrará isento de lesões. As arranhaduras e cicatrizes tornarão parte de si e ela sorrirá timidamente por estar forte.

Ela se lembrará das preces feitas em tom baixo e agradecerá por existir vida em seus dias, mesmo com toda a sofreguidão e a solidão. Se as perdas dão a impressão de não possuir e não ser nada, não quer dizer que elas são verdadeiras, tendo em mente que a realidade pode ser reinventada a cada novo olhar. Toma Annie, um pouquinho de inspiração para viver!
Precisava atualizar, sério. Necessidade louca... E usei bem a 3ª p. para falar o que venho sentindo. Obrigada a Jana por divulgar lá no blog dela meu job. Divulga também, gente? Estou muito preguiçosa para blogar e comentar nos demais blogs, mas vou tentar voltar a ativa. Título inspirado na música do Capital Inicial - A menina que não tem nada. Foto
Beijo pra quem é de beijo!

Você;

Hoje, afaguei a ferida e por um triz quase me traí. Sabe... Estou cansada de ser vulnerável a você. Porque enquanto meus dias são caóticos, sei que não causo sequer uma centelha de falta nos seus dias. Porque por mais que eu diga aos outros estar seguindo adiante minha mente prende-se a você. Só quem passa o mesmo que eu sabe o que é carregar cicatrizes invisíveis de um falso amor. Minha fragilidade diminuiu-se e as várias lacunas que você deixou estão sobre proteção, porque é a única forma de não me envolver, não me ferir e lhe deter. É que você não soube medir as palavras e agora são seus atos que me atingem. Mas já foi, passou, cessei o chororô. Você é a minha soma errada, o meu equívoco... Porque por malícia ou insensatez, você só fez confusão em mim.


Desculpem pelo texto ultra-mega-power-blaster pessoal, mas como não postava a 13 dias e surgiu isso em tom de desabafo resolvi postá-lo. Em breve me atualizo e respondo demais comentários.
Beijo para quem é de beijo.

Imune;

"Você não me quer, não
Você não precisa de mim..."

Talvez, eu demore a aceitar essa minha nova condição em ter que enterrar as palavras ditas em vão. É que tu não conheces o oco que se encontra em meu coração. O vazio permanece aqui dentro cada vez mais profundo. Difícil é ter que admitir que não nascemos um para o outro e saber que não existiu sabor e toques e que o dito amor passou. Não foste embora e sequer chegamos a nos despedir, porque tu estás sempre tão presente e vivo em meus descoloridos devaneios. Porém agora já não há cobranças, conflitos ou insegurança. Enterrei também a esperança.

É um silêncio ensurdecedor, quiçá desesperador que me preenche. Eu ouço meus pensamentos claros dizendo-me que não há outra saída. Agora me encontro sempre comigo mesma, pois não o que imaginar ou querer, apenas esperar o mundo voltar a girar.

Sabe quando nossos próprios braços nos envolvem? Bastam os meus para me proteger o que ninguém pode deter: os sentimentos do avesso e os pensamentos avulsos.

Não consigo evidenciar-te como uma perca, porque nunca me pertenceste. Contigo fui ao meu limite e, por fim, descobri mais de mim. Sofrer por falta de amor me fez forte. E quando o tal amor aparecer eu vou gritar para todo mundo ouvir e não vou me arrepender se mais uma vez eu me equivocar. Prefiro amar demais errando a não amar me poupando dos fracassos, esperando que o certo passe despercebido por mim.

Estou imune a ti, porque consigo encarar-te sem sentir raiva e sem a necessidade de querer esquecer-te.
Eu sei que estou devendo visitas e blábláblá, desculpa... Em breve volto com decência, porque sei que isso é um desrespeito a vocês. Sobre o texto? Que retórica seria minha resposta, né?! Cuidem-se, galera.
Beijo pra quem é de beijo.

O que tiver que ser será;

O primeiro item guardado na mala foi como abrir um álbum de fotos. Eu ainda inalava o perfume que ele deixara pairando no ar ao se arrumar para o trabalho. Sorrateiramente as lágrimas caem tocando o chão, enquanto eu dobro e guardo peça por peça e deixo que as lembranças levem-me aonde queiram ir.

Viverei sem ele. Mas não tenho mais motivos para permanecer aqui. Nossos olhares antes cúmplices, agora são enfadonhos, fartos um do outro. As declarações e palavras de afeto foram vãs, pois a cada frase dita o julgo, a cada julgamento impensado transforma-se em uma briga. Não conseguimos mais andar de mãos dadas, rapidamente elas se desvencilham, ocupando-se de qualquer coisa, mas que não seja o toque mútuo.

E quantas brigas terminaram em sexo? Eu parei de contar. Porque até isso caiu em desuso. Lembro-me da nossa primeira discussão... Duas horas depois trocamos pedidos de desculpas e com beijos fervorosos levou-me para a cama, e provamos da raiva um do outro até destilarmos todo o mal, intensamente nossos corpos entrelaçados penderam para o lado e respiramos profundamente o ar leve – transamos como se fosse à primeira vez.

Agora não me parece mais cômodo receber o beijo na testa mesmo corada de rubro de nervosa ao seu pedido de perdão. Compaixão, agora a tenho por mim. Por isso, vou partir...

É tão dificil entender
Que eu já não vejo em você
Aquele alguém que eu conheci
E me apaixonei
Já não consigo suportar
Você querendo me tocar
O meu desejo, a sua voz
O que aconteceu?

♪ Marjorie Estiano - O Que Tiver Que Ser Será

♥

P.S.: Eles também postam.
Beijo pra quem é de beijo!

Vai-se;

Vai-se, e o corpo entorpece,
Ao tocar da brisa, acalma
O fogo, a desilusão, a alma.

Vai-se, o que não me enaltece,
Pôs-se fraco, agourento,
Foi-se devasso como vento.

Vai-se em fúria
Para onde a mão não te segura
E a plenitude seja pura.

Põe-te em silêncio
Sinta tuas garras, perfurando-te,
Arranhando-te,
Seja tua própria luta.

Vai-se;
E deixa-me!
*P.S.: Estou tentando melhorar nessas coisa de poema, não me prender a métrica ou rima, mas quase sempre sai assim, espero que gostem.
Beijo pra quem é de beijo!