Ela;

Era menina, não a culpe, aquele sentimento vivia nela. Quantas vezes o viu partir – por entre seus dedos, olhos, corpo e da imaginação? Mais uma vez o perdia. Deixava-a ali de mãos atadas à vazias, de olhos alegres a miúdos e vermelhos, de corpo entregue à margem de si, repentinamente, tudo ilusão. E ele que não chegara a provar dela como ela queria, agora reconhecia que nenhum pedaço de si ele merecia. Ela que foi tão por inteira dele permitia que outros lhe invadissem, consumindo-a e partindo sem adeus. Sem falsas promessas, sem mais quereres. Com medo da redenção continuou ali inerte entre paixões torpes aumentando-lhe sensações passageiras ao invés de se arriscar e achar que era digna de amor. Porque não importava o quanto se arrependia sobre o último a tê-la, se debulharia, suspiraria e mentiria sobre o que cada um representava em sua vida. Todos – ele e os outros, sem exceção – transformaram-na em fria e vazia.

4 comentários:

  1. Tomara que a menina consiga entender que só é vazia quando se afasta de si mesma.

    A música não poderia ter combinado mais com o texto. É de uma poesia imensa...

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  2. Sou sua fã. E repito a mesma velha frase de sempre. Você realmente é foda, quando eu souber o que dizer eu volto...

    Beijos e obrigada pelo toque intenso de sempre.

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  3. Conheço esse vento frio, vai levando tudo pelo caminho.

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  4. Perfeito!!!
    O que dizer depois do que li???
    Acho que vou fazer o mesmo que a Tati...
    Volto quando conseguir dizer algo que realmente seja relevante...
    Adorei o texto!!!

    Bjs

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