Você;

Hoje, afaguei a ferida e por um triz quase me traí. Sabe... Estou cansada de ser vulnerável a você. Porque enquanto meus dias são caóticos, sei que não causo sequer uma centelha de falta nos seus dias. Porque por mais que eu diga aos outros estar seguindo adiante minha mente prende-se a você. Só quem passa o mesmo que eu sabe o que é carregar cicatrizes invisíveis de um falso amor. Minha fragilidade diminuiu-se e as várias lacunas que você deixou estão sobre proteção, porque é a única forma de não me envolver, não me ferir e lhe deter. É que você não soube medir as palavras e agora são seus atos que me atingem. Mas já foi, passou, cessei o chororô. Você é a minha soma errada, o meu equívoco... Porque por malícia ou insensatez, você só fez confusão em mim.


Desculpem pelo texto ultra-mega-power-blaster pessoal, mas como não postava a 13 dias e surgiu isso em tom de desabafo resolvi postá-lo. Em breve me atualizo e respondo demais comentários.
Beijo para quem é de beijo.

Beijo


Beijes-me a bochecha; olhes nos meus olhos; aproximes teu rosto ao meu, inspires e assopres o ar, impregnando-me com teu hálito. Toques minha face devagar, devagarzinho, faças-me roçar ele no dorso da tua mão e, aos poucos, entrelaces os nós dos teus dedos em meus cabelos, fio a fio, os aprecies... E brinques de mansinho por minha nuca. Sussurres tocando teus lábios em minha orelha provocando-me arrepios e os conduzas deslizando por meu pescoço, aspires meu perfume e retornas-me a encarar. Desejes-me. Descanses tua feição e cerres teus olhos, repouses tua boca sobre a minha selando-a, provando-a – lábios, dentes e língua – sintas-me tua, em fragmentos degustas-me. Desconsertes-me e sorvas minha alma, conheças-me por inteiro: menina, mulher e amante. E, então, recomponhas-me com o mesmo antídoto, teu beijo.

"[...]Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais." Caio F. Abreu

Amor e riso

“Amor e riso” fora a resposta de Eric ao ser questionado sobre o que era mais importante em sua vida. Aquele pequeno ser de sete anos de idade possuía a sabedoria dos grandes e que, entre a vida e a morte, elegeu os sentimentos como seus grandes aliados à luta contra o câncer. Em mãos eu carregava uma câmera e diante de tal frase as senti tremer e os olhos que até então somente marejavam insistiram em me fazer chorar.

Fui apresentada à história de Eric através de Dra. Cassie, oncologista e besteirologista, quando o mesmo tinha cinco anos e já imputava uma personalidade forte e com respostas perspicazes a cada pergunta astuta que eu o fazia. As primeiras frases que Dra. Cassie me apresentou ao me iniciar no grupo dos “Doutores da Alegria” ficaram subjetivas: “quando a alma padece, o corpo vira carcaça”. E disse-me carinhosamente ao final: “eu cuido do receptáculo e você os alegrará até a alma”. Palavras cujas permaneceram perambulando pela minha imaginação durante dias até que fosse possível entendê-las.

Nas primeiras visitas eu mal conseguia encarar a todos os pacientes com naturalidade. Meu riso era forçado, porque eu não me sentia a vontade ao vê-los entubados, muitas vezes com uma pequena penugem cobrindo-lhes a cabeça e prostrados sobre a cama. Seus olhos aspiravam à tristeza, mas a cada entrada dos tais doutores com seus narizes obtusos e vermelhos aos quartos de recuperação, neles podiam ser vistos a esperança e nos lábios os sorrisos e as gargalhadas mais sinceras que eu podia decifrar e conhecer.

Alguns quando adentraram o recinto poderiam dar-se por vencidos, antecipando o seu fim. Porém a força que emanava quando os risologistas invadiam o hospital era a injeção de ânimo que cada um precisava – fosse paciente, médico ou familiar. Os corpos deles estavam fracos, porém as almas estavam encantadas. Seus corações enchiam-se de pulsante adrenalina e os deixavam fascinados sobre as novas formas de afeto que recebiam.

Naqueles anos de doutora da alegria, presenciei últimos suspiros, palavras e despedidas. Emocionei-me com as vitórias e com as histórias que acompanhei. Porém Eric, em especial, me mostrou que as pessoas podem doar, se doar, até de forma singela como em “amor e riso”. Uma via de mão dupla, onde quem doa também recebe sem perceber. Que a bondade mora no lado esquerdo do seio de cada ser, basta descobri-lo e demonstrá-lo, pois não é um ato que se deve temer.

Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você.
♪ O Teatro Mágico - O Anjo Mais Velho



Doe Palavras! Pauta para a 132ª Semana do Bk. É apenas um texto fictício, mas realidade em nossos hospitais. Conheçam mais a respeito dos "Doutores da Alegria", um trabalho lindo e gratificante!