Ester

Eu ai participar do In verbis (com o texto passado fiquei em 1º lugar, muito feliz), mas como achei meu texto bem bobinho dessa vez, vou postá-lo só para não ficar sem atualização por mais uma semana, aqui vai ele...

- “Vou te contar como tudo começou...”

Recordo-me da sensação que causava essas palavras quando Ester as pronunciava. Porém, jamais vou esquecer-me daquela tarde de outono em que roubaram o brilho dos olhos meus.

Ela, toda encantadora, dona de um corpo juvenil de formas arredondas da pele chocolate, par de olhos castanhos claros incomuns e cabelos de mola curto, sempre me aparecia com o sorriso mais largo a enfeitar meus dias. Com longos anos de amizade verdadeira, confidenciava-me seus sonhos, arrependimentos, medos... E somente no auge de meus dezessete anos, cursando o terceiro colegial e com minha pseudo-vida-amorosa indefinida deparei-me com o fantasma do ciúme. Contudo, impugnei-o como quem luta com “o Grande”.

Em mais um dia normal, ela aproximou-se de mim com um olhar tímido e mordiscando o lábio inferior e eu apenas a observei, ri e questionei:

- Uhm, bonita, o que me conta pra estar com essa carinha?

E ela apenas arqueou a sobrancelha, tentou mudar a fisionomia para séria e negou:

- Nada, por quê?

Simplesmente bufei fingindo falso tédio e respondi:

- Ah, e que agora você fica feliz e não posso mais nem saber o motivo...

Olhei-a sentar ao meu lado e quando virou o rosto para me fitar a percebi ficar sem jeito para dirigir-me a palavra. E então articulei baixando o tom da minha voz sem querer provocar mais embaraços:

- Você quer me contar algo, Ester?

- Quero, mas não sei se devo – informou-me olhando para os próprios pés com um jeito de menina arteira.

E lha assegurei:

- Você sabe: se for segredo... Sou seu melhor confidente – afirmei com evidente orgulho.

Ela pareceu morder a própria língua, tampou a boca com a mão, encarou-me por longos segundos e, quando finalmente resolveu me contar, pediu:

- Não vai rir de mim, promete?

Diante de tanto melodrama, se eu negasse, seria corroído pela curiosidade e então prometi:

- Prometo!

Ester pressionava os lábios um contra o outro quase que em tortura até que a vi retomar o fôlego e me confessar:

- Estou apaixonada; enlouquecidamente a-pai-xo-na-da!

Aquilo mais me pareceu um nocaute após um soco no estômago, onde minhas vísceras logo seriam cuspidas jorrando sangue. Não foi exagero, mas senti que se não tivesse sentado iria cair. Fiquei-a olhando fixamente por alguns milésimos de segundos até que ela notou minha expressão e perguntou-me:

- Então, o que você acha?

Eu teria que falar, porém continuei desconsertado e até que a voz retomasse a laringe, fiz um movimento lento levando a mão ao queixo, fingi analisar as quatro palavras que me foram ditas e concluí fazendo cara de espanto:

- Você fez drama por causa disso? Ah, Ester pensei que fosse algo sério.

- Então... Você não acha isso uma tolice? – Arguiu confusa.

- Não, aliás, quem é? É conhecido? Conta-me – aclarei, enquanto ela dispunha seus materiais no chão e cruzava os pés para ficar frente a frente comigo.

- Vou te contar como tudo começou...

Logo coloco em dia a leitura dos blogs e respondo os comentários!
Beijo pra quem é de beijo.

14 comentários:

  1. Como já disse...

    Não ficou nada Bobinho. Muito bem escrito. Tudo muito bem desenhado e além do mais... Com um humor gostoso, que vai levando a gente.

    Devia ter paricipado Bobinha[+1]

    Beijo...

    ResponderExcluir
  2. 'Quase chorei quando li seu comentário'

    ResponderExcluir
  3. Babizinha
    Adorei seu texto e não achei nada bobo.
    Estar apaixonado nos torna bobos, mas o texto é glorioso.
    Gosto da forma como você escreve e consegue levar um diálogo numa harmonia natural.
    É assim que vou aprendendo.
    Obrigado pela visita e comentário.
    Beijos, bom domingo e vamos aqui vendo o jogo e lendo um comentário aqui outro lá.

    ResponderExcluir
  4. Ah, não ficou nada bobo, eu gostei muito! :)
    Devia ter participado mesmo.

    :*

    ResponderExcluir
  5. Flor...
    Que leveza...
    Adorei a estória...
    Nada de bobinho...
    Mas sim...
    Extremamente bem escrito...
    Amei!!!

    Bjs

    ResponderExcluir
  6. Não ficou bobinho não. Acho que você deveria participar. O conto ficou de uma leveza indescritível. Tão detalhado! Pude imaginar tudo.
    Adorei, Babi!

    ResponderExcluir
  7. Ficou muito bom ! Se concorresse certamente ganharia. Suas palavras parecem que dançam no texto. Tamanha suavidade e precisão. Amei.beijos

    ResponderExcluir
  8. Babi.

    O teu texto, não está nem um pouco bobinho.
    Ficou excelente! Tua escrita é muito boa de ler.
    Tem detalhe e simplicidade.
    Ótimo!

    Beijos!
    Linda semana!

    ResponderExcluir
  9. Ótimo texto, fiquei curiosa, ela está apaixonada é por ele certo? Depois do drama e dá má resposta dele, tem que ser ele. :)

    ResponderExcluir
  10. Bobinho? Ah, que isso, ficou muito bom e me diga que vai ter continuação, hehe...

    Bjs =)

    ResponderExcluir
  11. O texto está ótimo, uma pena que não conocorreu!

    É moderadora do 1000 palavras ou palavras 1000?

    hum...

    vou começar a escrever para eles!

    sorry pelo errinho, me pego frequentemente nesses vícios!

    ResponderExcluir
  12. Não tem nada bobinho em suas letras. As palavras vão fluindo e nos levando com elas.
    Bjoo!!

    ResponderExcluir
  13. Que legal, amnhã sai o texto que fiz, espero que gostem!

    Bjo babi( se posso chamá-la assim)!

    ResponderExcluir
  14. Vou te contar como tudo começou. Tudo começou a fazer sentido quando eu te conheci.
    É isso que ela vai dizer. =P

    Ficou DUCACILDA esse continho!

    ResponderExcluir

✖ Não faça propaganda de seu blog;
✖ Se discordou de algo, não publique comentários anônimos;
✖ Não é avisando que (per)segue meu blog que será recíproca;
✔ Retribuirei qualquer comentário se possuir blog;
✔ Estou aberta a críticas construtivas e a novas amizades...
♥ Desde já, agredeço sua opinião!