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Filme: Do começo ao fim

Tema, direção, produção, personagens e atores... O que não encanta no cinema brasileiro? Poderíamos enumerar, nomear e debater a respeito, mas, afinal, nós mesmos não prestigiamos o que nos pertence e, infelizmente, nos contentamos em criticar. Diante de tal estereótipo, aos poucos, roteiristas e diretores vêm se esforçando e demonstrando real interesse no setor para que melhoras significativas sejam realizadas, sabendo que estão longe de igualar-se ao cinema exterior. Porém não impossível esse desejo tornar-se realidade.

Li e reli críticas antes de iniciar uma pequena resenha do que ocorre no filme “Do começo ao fim” e não pude deixar de notar que a grande maioria que viu o filme sentiu “falta de profundidade”, já que os temas abordados foram homossexualidade e incesto. Contudo a meu ver, trata-se com delicadeza como qualquer outra história de amor heterossexual ficcional. Será possível “conto de fada homossexual”? Esse filme é a prova disso.

Do começo ao fim” desmistifica o pré-conceito que muitas pessoas têm sobre o amor gay, quer dizer, mostra que não é preciso sexualizar toda relação humana. Os personagens passaram anos cultivando amor para que tal ato fosse consumado. Houve entrega total dos atores Rafael Cardoso (Thomás) e João Gabriel Vasconcellos (Francisco), porque quem assiste sente sutil cada gesto trocado um com o outro. Não há grandes conflitos, apenas os internos como o ciúme e a distância que pode abalar qualquer relação.

Desde os cenários à trilha melodramática ajudaram a construir essa história de amor. Não foi preciso aprofundar-se no assunto para que se transformasse em polêmico, o tema por si só já é. É que nós estamos acostumados com o apelo nacional exposto até nos filmes. E a proposta do filme é falar de amor, porque esse sim é uma linguagem universal...

Nota: ★★★★

Resolvi por não copiar a sinopse, porque iria ficar longa. E para primeira resenha como estou? rs
Beijo pra quem é de beijo.

P.s.: Eu te amo!

12 de dezembro de 2008, North Haledon/NJ - New York.

Chloe,
As palavras ainda percorrem caminhos tortuosos em minha mente, mas não sei bem o por quê. Talvez, eu saiba só não quero pensar demasiado. Decerto as confissões em voz alta soam tão assustadoras que prefiro guardá-las somente para mim. Mas eu sei Chloe que você precisa saber toda a verdade... Esta carta não durará mais do que alguns parágrafos, porém não garanto que a mesma não alterará nossa amizade e o rumo de nossas vidas!

Lembra-se de Ruby? Sim, aquela do primeiro ano do colegial, minha amiga e confidente. Ela era um doce comigo, porque ela me fazia rir de mim mesma e comigo, Chloe. Com Ruby aprendi a ser um pouquinho mais feliz já que em casa eu possuía vários problemas familiares e mamãe estava internada. Recordo-me, principalmente, dela, porque ela esteve comigo quando meu Anjo se foi. Enquanto eu chorava noites e dias ela me amparava. Você sabe (quase) tudo sobre essa história, a qual deve saber de cor, pois já lhe contei diversas vezes. Entretanto, você não imagina sequer a verdade sobre o fim da amizade entre mim e Ruby e, outra vez, você pode vir a questionar o porquê desse meu rodeio em contar-lhe sobre a parte omitida e o que Ruby tem a ver com você... E posso lhe afirmar: muito! Ambas têm muito a ver!

Eu sempre soube que era diferente das demais. Porém até meados daquele ano eu não me interessava por ninguém, enquanto minhas colegas e primas falavam de selinhos roubados e mãos dadas em sinônimo de namoro, eu as achava umas tolas. Deveras, lá no fundo, eu acreditava que algum dia chegaria minha vez de me apaixonar. Foi quando conheci Ruby que comecei a duvidar sobre o meu mundo particular. Ela conseguia deixar minha barriga revolta e muitas vezes minhas mãos suavam se estávamos próximas demais. Eu gostava da maciez de seus cabelos quando roçavam em meu rosto, enquanto nos abraçávamos; seu hálito cheirava sempre a chiclete e seus lábios possuíam um sabor morango – como eu sabia disso? Num misto de êxtase e desejos eu pedia emprestado o gloss dela cujo passava em minha própria boca e depois ficava lambendo. Ela me chamava de louca, mas eu gostava mesmo daquilo. Era uma forma inocente de provar do beijo dela.

Agora você já pode tirar suas próprias conclusões, Chloe. Chame-me de qualquer coisa, eu deixo. Mas leia até o último ponto final, por favor.

A amizade entre eu e ela só durou aquele ano, porque numa tarde de novembro ela me acompanhou até a praça da cidade, onde o dia estava ameno, o sol escondido entre nuvens e os balanços moviam-se poucos centímetros devido à pequena brisa e nós duas ocupamos dois deles e ficamos ali em silêncio, apenas sentindo a presença uma da outra. Ela me sorriu um sorriso de lábios, bufou uma ou mais vezes até pronunciar “Preciso que você me faça uma coisa.” Eu a fitei estranhamente, mas fiz sinal positivo com a cabeça para que ela progredisse. “Eu vou embora.” Dessa vez eu realmente arregalei os olhos e tentei falar algo que acabou por não vingar. “Espera... Simplesmente prometa que fará o que eu pedir.” Ela estava me torturando, Chloe. Primeiro o meu Anjo e depois ela, não, isso não. Então eu prometi e ela prosseguiu. “Me beije!” Arqueei uma das sobrancelhas e quando me aproximei dela percebi seu sibilo. “Não, Emily, na boca.” Eu senti meus lábios trêmulos e eu nada consegui fazer. Aliás, fiz o que eu não queria fazer. Afastei-me dela, chamei-a dos nomes mais chulos e preconceituosos e sem me despedir dei-lhe as costas.

Esse foi o meu erro, Chloe. E eu não quero deixar que isso se repita, porque agora eu estou do outro lado na moeda... Minha caligrafia está ficando quase ilegível e tendo esse ensejo, não quero permitir-me a aceitar a perda sem ao menos pronunciar-me e relatar toda a minha vontade, todo o meu querer e esse sentimento arrebatador chamado amor.

Chloe, eu espero a sua companhia e se você simplesmente me der às costas, eu irei entender. Afinal, eu só percebi que queria de verdade outrem quando a perdi. E suponho que ninguém queira se arrepender tardiamente.

P.s.: Eu te amo!
Emily.

Pauta para o BK de última hora, não me venham pregar sobre a sua religiosidade e moralismos, ok? Isto é um conto, porém condiz com o Amor que eu acho muito certo em ser explorado por todos! Logo respondo os comentários, galera.
Beijo pra quem é de beijo!

Homo... Sapiens

Há aqueles que se baseiam na Bíblia e usam o nome de Deus para fazer justiça profanando injúrias, e pregoando o falso moralismo que é uma doença da alma e que somente retirando “os demônios” é que estará salvo. Parece chacota, porém é a realidade dos homens que brincam de Deus e justiceiros.
“Os demônios” são reais, pois estão em vestes mundanas e sujas, homens tolos e preconceituosos. Os homossexuais por si só carregam as conseqüências de suas escolhas num mundo injusto e buscam na ciência à aceitação – provas de que são diferentes geneticamente. E não é querer personificar-se no sexo em que não nasceu e, sim, transformar-se por completo naquilo em que sua mente tratou de modificar sozinha.
O que se vê pode parecer estranho, contudo fizeram dessa uma opção para a vida inteira que deve ser encarada acima de tudo com respeito e tolerância - palavras chaves para a boa convivência, e se perante a lei somos iguais, ajamos por conivência para um mundo mais justo. Sem restringi-los às profissões, estado conjugal, direitos de procriar e assim por diante. Pois também têm o direito de ir à busca da felicidade!
P.S.: Pauta para o BK. E não resisti em colocar esse link da música, nos remete sempre aos bafônicos né?! E obrigada Manu pelos selos. Estou demorando p/ escrever entre uma postagem e outra por causa da falta de inspiração.
Momento marketing, visitem e participem do Palavras Mil. (;
Beijo pra quem é de beijo!

Especial meme: Natal!

Ganhei da Lily que fará uma promoção no blog dela no começo de janeiro, então fiquem ligados!
O Natal na Casinha
Até uma casinha no meio do nada pode ter um natal feliz.
Passo-a-passo:
1. Você sugere 5 coisas para o natal: um livro, um filme, uma comida, um vídeo e uma música.
Não precisam ser necessariamente abordando o tema natal, você vai escolher o que quer compartilhar com quem for ler suas escolhas, afinal é para isso que o natal serve, partilhar, unir, conviver.
2. Você vai falar um pouco sobre cada item escolhido, dizendo o motivo pelo qual você decidiu optar por aquilo.
3. Você vai indicar UMA pessoa para fazer uma post sobre isso também e partilhar novas escolhas.
4. Se a pessoa que você indicou não quiser ser escolhida, você deve escolher outra pessoa, afinal, ninguém é obrigado a nada.

Para o natal no Ella en Palabras, eu sugiro...
Um livro: O Menino do Pijama Listrado o qual mostra duas crianças de diferentes realidades separadas por uma cerca e ligados por um único motivo: a amizade, que aos olhos de pessoas cheias de preconceitos e regras julgariam ser impossível. De leitura rápida, instigante e emocionante.
Um filme: Marley & Eu – nada melhor do que acompanhar as aventuras de um cachorro trapalhão, melhor amigo até os últimos suspiros de sua efêmera vida pela nossa.
Uma comida: rabanada, com o açúcar e a canela, não tem mistura melhor para essa época.

Um vídeo: se você é homofóbico (a) não assista, mas se mesmo assim tiver curiosidade, assista rindo e tenha nojo, porém veja uma segunda vez, ouça a música e acompanhe a história: todos nós temos o direito de ser feliz!


Uma música: Múm – K/Half Noise, é um post-rock (mistura de jazz, vocal baixo, variados instrumentos, música eletrônica e rock progressivo), conheci a pouco tempo a banda e muito boa para relaxar, pensar, escrever...
E eu indico esse meme para a Ericona
(não é obrigada a fazer, caso não quiser, avise-me que indicarei outra pessoa).
*P.S.: Iaê cambada, não postarei amanhã até domingo, vou viajar (yupêêê) para Caldas, passar um fim de semana, descansar, aproveitar! Espero que curtam minhas indicações.
Beijo pra quem é de beijo!