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A linha

Lembra-se quando lhe disse para ficar do outro lado da linha? O mundo brigava sem mim. Enquanto, debulhava-me em lágrimas, todos gritavam e não entoavam meu nome. Meu andar tornou-se descompassado e em sentido inverso ao das outras pessoas; e as minhas palavras quando faladas não eram audíveis a mim nem a ninguém, logo, fique amuada e muda. Cessei a disputa que insistia dentro de mim.
Você fez tudo isso acontecer: transformou-me em descolorido atípico. E eu agora só quero permanecer desse outro lado da linha: em minha transparência colorida de verdades, sem fragilidades, ser percebida.
♪ “Ambos sabemos que acabou, fim da linha”
Jesse McCartney – It’s Over (tradução)
☮
P.S.: Hoje, sem conto ou crônica, só algo íntimo.
Beijo pra quem é de beijo!

Foge mulher!

E mais uma vez tudo se repetia. A campainha tocou insistentemente naquele dia, era Nina de doze anos de idade, filha de Maria, a vizinha. Chorava compulsivamente e eu entendia bem o porquê.

Antônio, seu pai, chegava bêbado todos os dias. Bebia para esquecer os problemas, fazer farra ou até mesmo quando não tinha motivos, encontrava algum para se afogar na “manguaça”. E como se não bastasse a bebida, vivia jogando, gastando o pouco dinheiro que Maria conseguia com as diárias que fazia.

Ofereci meu lugar no sofá e enquanto afagava-lhe os cabelos, pesadamente eu respirava. Não suportava mais vê-la daquele jeito. Escutávamos os ruídos dos móveis velhos sendo arrastados e o estardalhaço que os objetos faziam ao serem arremessados contra a parede e ao chão.

Nina falava entre soluços e gaguejos:
- Não quero mais ver ela assim, tia. Ela não merece!

E não merecia mesmo. No início, Maria ainda lutava contra as mãos ferozes do marido, mas aos poucos fora perdendo as forças e com isso, a vontade de viver. Parecia que queria morrer ali. E Nina afirmava que a mãe era uma doida varrida de amor pelo marido. Que amor era aquele... Que destrói os sonhos e deixa marcas pelo corpo?! Não havia desculpas para tal atitude.

E eu mais uma vez tentava convencer a menina a deixar-me ligar para a polícia, porém era guerra vencida. Ela tinha medo que o pai não fosse preso e voltasse para casa com ainda mais raiva das duas.

Como sempre, ela voltava para casa com alguns doces que minha mãe lhe dava quando as coisas se acalmavam por lá. Mas naquele dia... Ah, se eu tivesse chamado a polícia...
※
¹P.S.: Denuncie! É isso que tenho a falar, hoje, com esse meu post. Texto fictício, mas que existe em qualquer lugar. Meu primeiro aviso é para mulheres: não aceite qualquer insulto ou "tapinha", uma hora a coisa se descontrola e só Deus sabe onde vai parar. Segundo: se ver alguma mulher em apuros não meta-se a valentão (a), chame a polícia. Terceiro: se acompanha algum caso de violência contra a mulher, tome uma decisão pela vida de outra pessoa, ou o problema pode tomar proporções maiores e irreversíveis. Ligue: 180.
²P.S.: Texto inspirado pelo post do blogueiro Cafa.
Beijo pra quem é de beijo!