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Quando as palavras são dispensáveis

Estavam as três ali. Sabiam que tinham muito o quê falar, mas as palavras não surgiam. Sorriam umas pras outras, brincavam, riam, mas o que diziam tinha valor momentâneo, coisa de segundos. E tudo o que queriam dizer? E tudo que pensavam? Olhavam-se e sabiam o que dizer, mas não se compreendiam ao transformar pensamentos em palavras. Independente de tudo, era divertido estar ali, as três procurando palavras sem sucesso, iguais no fracasso da missão, diferentes no modo de tentar não fracassar. Ah, quem as visse devia achar graça. Eu achava, você acharia. Não falavam nada, mas dali sairiam como se dissessem tudo.
Talvez, as poucas palavras que passavam por suas mentes pudessem causar vergonha quando pronunciadas. Porque eram, de mais a mais, apenas três jovens com ânsia de liberdade para falar o que quisessem e com vontades tão intrínsecas que conseguiriam alvoroçar quem as ouvissem – de repudia a loucura. Afinal, as pessoas prezavam os bons modos e as conversas ao pé do ouvido para não causar burburinhos. E elas tampouco se importavam se causavam quando se pronunciavam.
Elas falavam no tom que bem lhes aprouvesse. Elas falavam do que bem queriam. Elas falavam porque sabiam que tinha o direito de falar o que pensavam, o que sentiam e queriam. Elas não se limitavam às regras, aos bons modos e toda essa babaquice do jogo social. Elas simplesmente honravam os seus ideias. Mas, naquela tarde, os ideais, os sentimentos, os pensamentos e todo o resto que se passavam dentro delas era um misto de coisas, uma confusão tão grande, que sequer conseguiam formar frases, concluir pensamentos e definir o que era o quê no interior de suas almas grandemente belas. Elas estavam crescendo? Era isso? Estavam mudando conceitos, abandonando preconceitos e adquirido novas sensações que não sabiam nem adjetivar? Ou a vida é mesmo assim? Num dia, fala-se muito, fala-se de tudo e tudo; noutro, cala-se e delicia-se nos prazeres do silêncio, da observação e da reflexão? Aquelas três moçoilas estavam quase crentes que era assim. Nem sempre falar é indispensável. Nem sempre fala-se com palavras. Naquela tarde, elas falavam com sorrisos e olhares cúmplices. Amanhã... As palavras viriam amanhã. Elas sabiam que viriam.
Esse texto foi escrito numa divertida brincadeira entre mim, Ferro e Seerig. O texto quase foi intitulado com "Garrafas vazias, garotas despidas", mas aí a sobriedade(?) de Ericona nos "helpou". Gostei demais da conta da parceria e espero em breve poder fazer outras e até com outros blogueiros, bem nessa loucura e descompromisso com nossa criatividade. Apesar dele não ter tema definido, ele diz tudo. (?)² Obrigada pelo incentivo, suas loucas!
Beijo pra quem é de beijo.

Your place is between the words

Enquanto as pessoas escondem de si mesmas entre multidões, ela escolhe a quietude e não se importa em caminhar no silêncio notando outros mundos. Com os mesmos olhos da inocência e a imaginação da meninice preservados dentro de si. Para ela que aspira emoções, viver é reconhecer as reações e sensações alheias. E cada passante torna-se personagem - de expressão bem delineada à alma explícita. O que lhe proferem talvez lhe caia no esquecimento, mas o que seus próprios olhos veem parece absorver na memória cheia de porquês ou gravados até no cerne com um calafrio ou um acalanto. E das franquezas da realidade ela separa, como quem separa o joio do trigo, o que dá para ser aproveitado. Porque as palavras lhe saem tão bonitas que até a tristeza se enfeita e o sentimento tão frouxo se ajeita. Ou é ela quem mantém sua simplicidade à vista de todos mostrando o quão doce a vida pode ser, ou ela se permite entregar a seu verdadeiro lugar... Por lá ela pode criar e reinventar, o que a realidade não pode apagar ou consertar. O seu lugar é entre as palavras e, por isso, ela não se esconde, não se define e não se contém.

É, estou virando turista por aqui... Mas logo isso mudará! Terei mais tempo livre e espero poder me dedicar a tudo que verdadeiramente gosto de fazer. O texto acima foi inspirado ao da Jana, confiram hein, adoro ela, seus escritos e os layouts (propaganda 0800 :)! Se o meu ficou um pouco confuso, perdão.
Em breve respondo a todos!
Beijo pra quem é de beijo.

Palavras;

Aninham-me como se possuíssem braços confortáveis para meu insaciável deleite, pois afaga um sentimento de vazio, o sôfrego e o mais eufórico já existente em mim. Às vezes, sou eu quem as tenho em minhas mãos frouxas, soltas, ou emborcadas como barcos perdidos após grande agitação da maré. E nelas faço-me e disfarço-me. Sou homem apaixonado ou mulher enfeitiçada; objeto a criar vida ou a descrever minha própria vida tão sofrida. Confundo-me, ou elas que já são tão minhas, ou eu que me entreguei a elas para todo o sempre? Dentro delas me apeteço perder; e no silêncio, na memória, mesmo que tentem refugiar-se, nelas hei de me encontrar, me decifrar.
♥

P.S.: Por que não falar das benditas-malditas palavras né? Estou com um super-ultra-mega-power bloqueio. Então, aos poucos quando vier alguma inspiração, ideia, vou atualizando aqui.
Beijo pra quem é de beijo!