Na estação;


O tempo passando, e ela continuava ali sentada à espera de algo ou de alguém? Enquanto eu verificava no meu relógio Champion rosa choque de cinco em cinco minutos, ela dividia minha atenção, pois permanecera na mesma posição nos últimos quarenta minutos - sua postura encurvada, seus ombros pendiam para frente, seu olhar vagava entre os sapatos dos passantes e o chão da estação. Os cabelos curtos encaracolados e castanhos emolduravam um rosto dócil, quiçá frágil, de menininha; vestia-se com um moletom verde musgo, calça jeans e All Star preto já encardido e em seu colo uma mochila, visivelmente, vazia. Creio que a própria moça também se sentia assim, vazia. Só rompi meu devaneio em continuar vigiando-a, porque meu trem chegou à estação e me despedi silenciosamente para ela, desejando que o queira que ela estivesse esperando chegasse logo para quebrar o seu silêncio.

(+18) Banha comigo?

Banha comigo?” Foi esse o seu pedido naquela noite. Após uma festa que fora um fiasco, havíamos chegado relativamente cedo e ainda dentro do carro discutíamos se o melhor era cada um ir para suas respectivas casas. E ele retrucou “podíamos terminar essa noite juntos, pelo menos isso”. Era a chantagem mais barata. Ele me olhava com cara de pidão, de cãozinho abandonado e eu estava prestes a cair mais uma vez nessa armadilha. Insisti mais um pouco antes de ceder com um “tá bom, mas amanhã cedo vou direto pra casa”, mesmo sabendo que era mentira.

Entrei com as sandálias nas mãos para evitar ruídos, enquanto ele fechava a porta e sussurrava que poderia ter ficado em casa se fosse para gastar míseros vinte reais com uma porcaria de festa mal organizada. Eu, simplesmente, ria. Disse-lhe antes mesmo de sair que não estava com pique para festinhas e blábláblá... Deu no que deu. No final, adorava ter razão. Até que ele perguntou me interrompendo ao andar a passos lentos “qual é a pressa de ir para o quarto?”. Não entendi bem e ele se aproximou explicando “já está aqui no corredor, enquanto eu estava lá na sala, qual a pressa de ir para o quarto?”. Fiquei muda e sorrindo abobada “nenhuma, uai, é que você enrola pra caramba e se sua mãe nos ver...”. E ele me arremedou “e se sua mãe nos ver... Para né? Já somos bem grandinhos”. Ficamos nos olhando por uns segundos e ele me indagou selando meus lábios debilmente “então, eu vou tomar banho, você não?”. Respondi com um aceno positivo e acrescentei “depois de você, vou; derrubaram cerveja no meu braço quando você me puxou me afastando daquela briga”. Percebendo sua feição de presunçoso fui emendando “nem pense nisso”. Sim, sua cara de malícia era das melhores e eu a conhecia bem, mesmo ele negando com um “oxe, não disse nada”. Tanto faz. Tentei me virar para continuar me dirigindo ao quarto e ele me puxou balbuciando “ei, banha comigo?”.

Ele sabia me colocar em situações de fogo. Mas nos éramos um perigo juntos. Sem falar que eu gostava da maneira descontraída como lidávamos com a nossa falta de liberdade, porque quando tínhamos oportunidade e realizávamos alguma vontade, outras tantas se multiplicavam.

Mesmo pasma e exaltada com aquele pedido lhe falei “melhor não”. E insistiu aproximando seu corpo do meu “vamos, é só um banho, amor”. Eu podia ter empacado ali, mas não... Ele se prostrou por detrás de mim e foi me levando devagarzinho à porta do banheiro. Quando já estávamos dentro, eu o vi trancar a porta, ligar o chuveiro e começar a se despir em minha frente. E eu obstinada disse “ok, pode tomar seu banho vou ficar te admirando”. Pensei que tivera o ganhado por definitivo, pois não encenou lamento nem fora contra, apenas o vi entrar debaixo do chuveiro e me encarar pelo box.

Ele deixava a cabeça cair para trás, a água morna molhando-o o rosto e os cabelos escuros e com as mãos ajudava a água se espalhar pelos mesmos. À medida que ele repetia esses movimentos, eu me continha ao ver o seu corpo nu e o seu membro acusando sua tesura em saber que eu estava observando-o. E ele me incitando interrogou “tem certeza que não quer entrar? A água tá boa”. Eu me vi colocando as sandálias no chão e o fitando mais uma vez, como se medisse a loucura que estávamos prestes a cometer.

Desvesti-me da calça jeans, da blusa frente única e, por último, da calcinha, enquanto ele sorria descaradamente pela minha redenção. E quando abri o box, pedi ingenuamente “comporte-se, ok?”. Gesticulei com as mãos para que ele se afastasse e ao dar espaço para que me molhasse, senti-o roçar-se em mim e beijar minha bochecha; olhei-o de soslaio e ofereci-lhe meus lábios. Envolvi meus braços em seu pescoço e ele nos colocou abaixo do jato quente d’água. Em uma tentativa vã o sondei e lembrei-o “comporta, menino”. E ele rogou indicando seu pau “fala isso pra ele”. Salivei ao imaginá-lo em minha boca e assim o fiz. Abaixei-me percorrendo minhas mãos pelo seu peitoral, abdômen e coxas e o encarei, enquanto abocanhava-o. Emparedado comigo de joelhos em frente agindo como uma gulosa deleitava-me ao senti-lo enrijecer mais em minha boca. E puxando-me pelos cabelos levantei-me e beijei-o com urgência, a fim de colocá-lo para provar do gosto de si.

Por fim, deixou que as mãos explorassem meu corpo – apertava com força meus seios e bunda e a acariciar com destreza minha buceta, oras tocando apenas no grelo, oras introduzindo seus dedos em mim. Abafava meus gemidos beijando-me de olhos abertos espiando minhas reações. Quando lhe pedi “me come” com tanta excitação, ofereceu-me os dedos que antes me tocavam para que os chupasse e depois me virou de costas, apoiando-me na parede e murmurou em meu ouvido “se você gemer alto serei obrigado a tapar sua boca, hein”. E senti com intensidade ele introduzir seu pau em mim, fazendo-me empinar mais o quadril para recebê-lo mais fundo e impetuoso. Rangia os dentes para evitar meus gemidos, porém ele dava estocadas curtas, fortes e em intervalos desmedidos. Enquanto apalpava um de meus seios ou esfregava os dedos na minha buceta.

Foi quando segurei sua mão que estava nela e pedi que continuasse, pois já não aguentava mais e ele ordenou “goza vai que eu também vou gozar com você”. E antes de prosseguir disse para me provocar “cuidado pra não gemer alto, sua vadia, ou vai acordar sua sogrinha”. E eu me vigiei, mas fora impossível. O gozo veio forte com ele me dominando e ele foi obrigado a colocar a mão sobre minha boca, ao mesmo tempo em que também sentia os efeitos do próprio orgasmo – e nossos corpos davam pequenos espasmos.

Olhamo-nos aliviados e um pouco preocupados, mas foi inevitável um sorriso faceiro nos lábios. Tomamos nosso banho e saímos apressados direto para o quarto.

Nota: às vezes, temos necessidade de percorrer por caminhos que não sabemos onde irá nos levar - usei um tema e termos que quem não me conhece me julgará -, mas é isso. É preciso crescer, amadurecer para certas situações e saibam separar ficção de realidade.

Make a wish;


Simples. Não vamos viver uma mentira, um dia, estaremos entregues à rotina, mas sei que ao adentrar a casa seu rosto cansado me distribuirá um sorriso de lábios cerrados e um olhar cúmplice. Sei que competirei sua atenção com a televisão, enquanto me desvencilho da bolsa do ombro e do casaco inutilizado do braço, me desnudando da blusa e tirando nervosamente os sapatos, jogando-os para um canto qualquer da sala. E você continuará imóvel atirado sobre o sofá. Num gesto afável, apenas descruzará os braços deixando-os frouxos disponíveis para que eu me atire neles – o meu abrigo. Os sons da televisão se sobressairão à nossa respiração e ao nosso alívio de ter um ao outro ali, rendidos, entre tanta banalidade do dia a dia, à fadiga e a nós mesmos num momento só meu-e-seu. Nossos corpos entrelaçados revelando o nosso reboliço e traçando um sentimento qualquer. E meus cabelos cobrindo a sua pele exposta entre os botões abertos da camisa, resvalando a nuca pelo seu tórax, apoiando o ouvido próximo ao seu coração escutando o palpitar rítmico reconfortante de cuidar de você e dele; o seu cheiro no tecido impregnando minhas narinas e roçando no meu corpo; e seus dedos desenhando espirais nas minhas costas provocando um eriçar bobo e gostoso de sentir. Sem ânsias, sem mais quereres. Nossos impulsos e vozes recolhidas na presença de estarmos tão juntos. Brincando de ir além ao de nos encaixarmos como duas peças de quebra-cabeças imperfeitas... Encontrando a felicidade de estarmos em paz, instantaneamente, todos os finais de tarde fatídicos. Nessa nossa luta ao sermos incompreendidos, rindo sem pesar sobre outras tantas incompreensões alheias. Como aquela com direito a palco e plateia num canal aberto no horário das seis. Eu só quero acompanhar você, menino, num programa silencioso e que me descarregue das preocupações. Porque o que me alenta é sua calma sendo meu repouso.
Texto-resposta: Ao final do inverno;
Não ficou à altura, mas me fez pensar assim... E título inspirado da música da banda Conjure One.