Nowhere;

“As coisas sempre dão errado quando é assim”, você disse certa vez. Vagando perdido sem sequer olhar ao seu lado negou-me a mão por medo quando a pedi e continuou seu percurso. Sabe daquelas sensações más que surgem... Não presumimos o mal, tampouco o desejamos, mas falo daqueles sentimentos que se sustentam sempre a sofrimento e pesar por querência demais, por uma parte, e presença de menos, da outra?! Senti-a. Sendo assim, decretei: fadada a mais um sentimento fracassado. Sou boba incansável e você não está preparado para isso, diz que quer reaprender a não se entregar tão facilmente. Por isso, deixo-lhe sobreaviso: está perdendo tempo, menino. Permissiva que sou, seja qual for a entrega, se me apetece, por que recusar? Eu tenho tentado lhe entender, mas fica difícil. Você vem se fazendo de meu e me escapa. Vem me julgando sua e, de repente, despreza. Já joguei muito nessas nossas intrigas, já lhe disse coisas que não queria dizer ou confessar, já lhe enchi das minhas verdades que não querem se calar e você fez o quê? Nada. Recebi silêncios em troca. Se são de desaprovação ou não querer, não sei. Não sei e não sei. E observo tudo isso negativamente, é porque necessito de demonstrações, de certezas. Odeio tais dúvidas e meias palavras. Dói constatar que sempre gosto errado – da maneira errada ou da pessoa errada –, e, por fim, prefiro iludir-me que ninguém merece o meu gostar, o meu ciúme e a minha intriga tola quando me faz mal. Porque quando tento me frear, o coração e as palavras desgovernam e eu coloco intensidade no vazio. Quanto mais me delato e me desnudo de meus medos e verdades, você emudece. Queria ser descrente, mas sou insistente mesmo sabendo que tudo isso vai me levar a lugar nenhum.

Deixa?


Desliguei a tevê, liguei o player. Nele a música mais fantasiosa. Não me recorda de você, mas me faz querê-lo perto. Bem perto. O álcool subiu à mente e anestesiou a solidão, intensificou a vontade de. Quero dançar... Para você. Deixa? Fechar os olhos, soltar os cabelos, remexendo o quadril no ritmo da música e sentindo o tecido da roupa roçar em minha pele, enquanto me dispo. Libertar-me da blusa, da calça; abrir os olhos lentamente e lhe vigiar por instantes. Inocentemente, desfilar rebolando em frente às suas fuças. Talvez, aspire meu perfume floral espalhar pelo quarto, menino. Mas quero mesmo é que me agarre pela cintura, afogue seu rosto em meu cangote, sinta meu corpo oscilando em tê-lo próximo e pedindo-o por inteiro entre lençóis. O beijo sedento, o seu olhar encarando minhas feições e minha boca entreaberta exigindo-o teso em mim. Ah, a imaginação!