Era menina, não a culpe, aquele sentimento vivia nela. Quantas vezes o viu partir – por entre seus dedos, olhos, corpo e da imaginação? Mais uma vez o perdia. Deixava-a ali de mãos atadas à vazias, de olhos alegres a miúdos e vermelhos, de corpo entregue à margem de si, repentinamente, tudo ilusão. E ele que não chegara a provar dela como ela queria, agora reconhecia que nenhum pedaço de si ele merecia. Ela que foi tão por inteira dele permitia que outros lhe invadissem, consumindo-a e partindo sem adeus. Sem falsas promessas, sem mais quereres. Com medo da redenção continuou ali inerte entre paixões torpes aumentando-lhe sensações passageiras ao invés de se arriscar e achar que era digna de amor. Porque não importava o quanto se arrependia sobre o último a tê-la, se debulharia, suspiraria e mentiria sobre o que cada um representava em sua vida. Todos – ele e os outros, sem exceção – transformaram-na em fria e vazia.
Enquanto fitas-me, meu corpo pende, meus joelhos estão fracos, ombros curvados, queixo caído e o olhar vazio. Queria fugir desses olhares inquisidores, mas tens tuas dúvidas e curiosidades e, por isso, não te detenho. Não me olhes assim de soslaio. Envergonhas-me. Parece até que procuras o que há debaixo de minhas roupas, mais um pouco e me despes, porque me escondo por receio de que descubras minhas verdades. Sabes, sou dessas que silencia para si mesma os próprios sonhos, mas no coração já não cabem tantos segredos. Portanto, não me encares assim, se tua vontade é apenas de me observar, disfarces. E então não despertes em mim esse ávido interesse também em te descobrir, pois a timidez não me permite e mais uma vez calarei minha vontade.
Não sumi! Semanalmente estou lá no no G.A. Muitos e muitos comentários a responder (sou uma enrolada, eu sei), quando puder lhes respondo. Blog estava precisando de uma repaginada, então dei uma mudadinha nele.
Beijo pra quem é de beijo.
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