Sobre pertencer;

"Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar..."

Núria Mallena - Quando assim

Quando menina, dessas em que ainda anda de pés descalços e cabelos desgrenhados sem se importar com vaidades, segredava para o nada, ou decerto, soprava o teu nome ao vento - sem pressa, com temperança, amimando as fantasias de ti ao meu lado. Divagava sobre o gosto das reconciliações, das carícias recíprocas e involuntárias e dos sonhos compartilhados. Querendo o teu nada e preenchendo-te do meu todo, para enfim, escrever nossa história. Por um tempo até entreguei-me às paixões lascívias e, apesar dos anos e de muitas vontades passarem, continuo com a essência do teu efeito sobre mim, ou melhor, da minha idealização sobre ti. Permaneço implicando com amores perfeitos, porque neles não me encaixo nem me contento. Gosto mesmo é da inconstância de gostar. Enquanto isso vou afugentando o amor, o qual guardo para ti. É, e acho mesmo que ainda sou menina, dessas que fantasia em silêncio e sorri; detecta mundos particulares e conserva para si; e que nutre sensações que ainda estão porvir. Mas se não bates em minha porta, se não apareces na esquina ou no balcão de bar, na fila do banco ou da padaria, vou continuar aqui, sonhando. Colorindo-te de cor carmim e do jeito mais singelo deixando-te marcado por mim... Dessas marcas-cicatrizes; que o tempo passa e não apaga; que ao invés de produzir ira apenas te induzem à vingança mais doce e gentil, levando-me a te querer cada vez mais entre beijos, cumplicidades e afagos. Falo sobre pertencer com todas as imperfeições, manias, detalhes, segredos, sonhos, ensejos, ausências e do vazio. Porque quando eu te conhecer, menino, quero saber da tua espera por mim, em noites como essa de junho frio. Se agora és mera distração para minha imaginação, um dia, serás minha satisfação e redenção.

Saudade de escrever algo fofinho assim, um completo clichê, mas que eu gostaria de viver um amor assim. Música tema do Rei Augusto e da Mª Cesária, na novela Cordel Encantado - a letra é muito linda!
Beijo pra quem é de beijo.

O desejo;

Na escuridão percebi seus olhos me espiarem, enquanto me despia frente à cama e o frio beijava minha pele eriçando os pelos do meu corpo. Soltei meus cabelos e o baque deles contra meus ombros foram suaves e macios. Eu escutei sua voz dizer-me “então, não vai deitar?”. E já de joelhos engatinhei até o centro da cama e prostrei-me de lado à espera do seu corpo se encaixar ao meu.

O frio parecia tomar gosto pelo meu corpo, meus seios enrijeciam e eu sentia meus lábios secos. Para falar a verdade eu gostava do algodão da manta... Gostaria de embrulhar-me, mas eu sabia que uma hora você viria para me acalentar. O travesseiro ao qual estava deitada exalava um cheiro tão seu que me sentia abraçada. Eu esperei. Esperei... Mas o silêncio invadia o quarto, fazendo-me escutar a monotonia das ruas.

Endireitei-me na cama, de barriga para cima e arfei alto até ouvi você perguntar-me de longe “onde está o seu desejo?” e fiquei imóvel sem entender. E você me pediu “me mostra em seu corpo, onde mora o seu desejo”. Timidamente deixei que uma de minhas mãos mostrasse onde estava meu desejo. Escutei seu riso e logo me solicitou “se delicie de si mesma fingindo que não estou aqui...”. Eu podia sentir a malícia em sua pronúncia, sua boca salivando àquela frase e seu membro alertando-o do prazer.

Mesmo naquele negrume cerrei meus olhos e comecei a acariciar-me, imaginando-o junto a mim. Da garganta saiu um gemido acanhado, mordisquei o lábio, mas em instantes tornou-se a semi abrir. Meu corpo inflamava a paixão; oras tocava-me com voracidade, oras dócil, principalmente, por meu ventre e seios. Quando senti que minha tesura expandia preenchi-me com meus dedos e constatei que meus dedos invadiam-me com facilidade. Eu me contorcia e prendia minhas mãos entre as pernas como se fosse você quem estivesse ali preso a mim.

Por um momento minha respiração falhou, o meu rosto enrubesceu e reconheci aquele incômodo dissipar-se. Rangi os dentes, porém fora inevitável – ofeguei e aquela sensação espalhou-se de dentro para fora, fazendo-me encolher e depois me anestesiando.

Com um estampido voltei à realidade. E outras tantas vezes lhe imaginei assim... Mas esperarei e quando puder, venha!
Post [+18]... Enfim, não quer comentar, achou isso um absurdo, simples: finja que nunca conheceu meu blog! Escrevo o que eu quiser. E obrigada ao @OFernando_ que leu em primeiríssima mão e pelos elogios! Foto
Beijo pra quem é de beijo

Mulheres: personagens e mídia

É inevitável não notar a ausência de personagens que transmitam a verdadeira essência feminina no cinema, séries e novelas e nos livros, ou seja, que aproxime a ficção à realidade, as mulheres com suas diversas faces e nuances. E com isso, a mídia torna-se o meio mais importante em disseminar os estereótipos e a falsa ideia de que como a mulher deve se portar em seu cotidiano.

Quem disse que cada uma não tenha um desejo sobrepujando-a e fazendo-a enlouquecer? Ou que a bondosa mulher, na verdade, esconde segredos de um passado mundano, arrependeu-se e pode viver feliz – ou que simplesmente, demonstra ser isso, mas no âmago protege-se de atos que lhe incriminam e permanece tendo a mesma mente psicótica?! Até mesmo esses clichês têm se tornados reais quando um bom escritor e roteirista conseguem trabalhar o psicológico e a narrativa em si para o sucesso da personagem!

Outro intrigante aspecto é quando os dramas e romances insistem em figurar a mesma como uma ignorante, inocente ou a extrema paixão a leva a se humilhar perante um homem. Nesse âmbito o mercado já está saturado. A “melosidade” e o drama são descabidos. O que era para se deter a filmes e contos passou a ser a idealização das jovens e mulheres. Subestimam a mulher em si e a sua própria personalidade vendendo a forma de conquista, os indivíduos e o amor irreais.

Tratando-se de “musa inspiradora” cada época teve a sua, contudo na atualidade é quase impossível mencionar um único nome entre o senso comum. Talvez, individualmente cada uma possua a sua favorita como exemplo, porém é fácil descobrir que não é pelos seus atos que é admirada e, sim, pela estética. E as “favoritas” estão sendo expostas constantemente em revistas e na televisão... E quem alcança a massa, ganha fama. Às vezes, nem dignas de papel principal possuem, porém se apareceu como figurante e chamou a atenção, futuramente a esse cargo pertencerá. Por detrás da personagem também existe uma mulher que se deixou influenciar pelos meios.

Dentro do mesmo fator estético, entra a mulher como objeto sexual, a vulgarização. A sensualidade exacerbada e que a conquista de todas as suas vontades estão relacionadas ao seu corpo perfeito e como atrai os homens. Alguém já parou para pensar como essa imagem chega ao público? É claro que deturpada! Quando exigimos direitos iguais, é para mostrar que apesar dos ensejos, podemos negar às vontades masculinas, porque temos que ser autossuficientes. E acredito que através dos meios de comunicação essa mensagem deveria ser expandida. Para interromper esses pensamentos e essa visualização que possuem de nós.

Logo o que era para acrescentar e influenciar positivamente a vida de nós mulheres começa a ter efeito reverso, nos afeta e nos prejudica. É evidente que hoje podemos opinar e discutir tais assuntos, mas impor que há atitudes, e como nos expõe de forma errônea nos atingem e nos privam de sermos mais incisivas, determinadas, seguras, sagazes e inteligentes sem perder a feminilidade diante de situações que moralistas e a própria sociedade não aprenderam a nos ver agindo de tal maneira.
Caberia a esse texto mais outros tantos aspectos e eu os defenderia com unhas e dentes. Mas deixo a vocês opinarem o que acham do papel da mulher, atualmente, na mídia e em personagens. Participando da 141ª semana do Blorkutando.
Beijo pra quem é de beijo.