Capítulo 9 - A foto

Clique sobre a imagem e veja os outros capítulos.

Os primeiros minutos com o diário em mãos fez Aimée sentir fagulhas de receio e vergonha. Afinal, apesar do pesares, Olga era sua irmã. Olhou diversas vezes a capa e reparou como havia sido minuciosamente decorado pela irmã caprichosa e detalhista. Não podia negar, Olga possuía bom gosto – não para amizades, longe disso – mas sim no quesito material; suas coisas eram escolhidas com certo rigor e em matéria de estilo ela sem dúvidas era a pessoa mais aconselhável a se pedir uma opinião sincera. E ainda havia isso – Aimée admirava a irmã de alguma forma pelo que ela representava, às vezes, provocando-lhe uma dose de ciúme e outra de inveja.

Quando concluiu esse pensamento, Aimée deslizou sobre o lençol da cama deitando-se, cerrou os olhos, trincou o maxilar e disse mentalmente o seu novo mantra: “ela me pedirá perdão por permitir o que ele fez e não me importo com o que eu tenho que fazer!” Então sentiu a textura emborrachada do e.v.a. utilizado na encadernação e deixou que as páginas tornassem a virar e alguns papéis caíssem sobre seu corpo, enquanto suas mãos pendiam para um lado e para o outro, numa brincadeira relaxante antes de iniciar a leitura. Contudo ela não parou e, talvez, numa vã tentativa queria descobrir algo valioso sem ao menos ler, abriu os olhos e concentrava-se entre os vãos cujas páginas permitiam-lhe apenas bisbilhotar os borrões do que ali verdadeiramente estava escrito. Ela sabia do risco que corria sobre enfrentar Olga e mais ainda agora por pegar o diário dela.

Ela posicionou-se sentada na cama e juntou o que havia caído de dentro do diário. Alguns papéis que pareciam recadinhos de amigas e três fotos – uma da própria Olga aos cinco anos de idade e ela com apenas três anos; outra de Mabelle quando ambas ainda estudavam no educandário e a terceira fez Aimée ficar confusa... Quantas perguntas eram possíveis fazer sobre tal? Nem ela mesma sabia o que perguntar quanto mais responder. O resquício de ar que conseguiu prender durante aqueles segundos em que percorreram infinitos pensamentos foram calados ao ler a mensagem escrita no verso da foto:

"Mas eu quero você, eu preciso de você."
(I Want You)

Saliva traduz o que eu sinto!
O ♥ D

E a flor desabrochou. (?) Provavelmente eu só fique atualizando agora sobre o conto até que minha vida se estabilize. E agradeço a quem ainda me lê de coração! Logo respondo e leio quem deve minha atenção e meu respeito. :D
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 8 - O diário

Clique sobre a imagem e veja os outros capítulos.

Aimée se dirigiu rapidamente à sala de aula após o evento ocorrido nas quadras do colégio e quando adentrou o ambiente que se encontrava em plena desordem fez-se silêncio. Ela que era tão envergonhada enrubesceu, pediu licença para o professor de matemática e sentou-se numa das cadeiras vagas no canto direito próximo a porta. Enquanto todos a observavam acomodar-se atrás estavam sentadas em dupla Rebecca e Zohar. Ela sabia que não era um bom lugar, pois ambas tinham fama de fofoqueiras e o que ela menos precisava naquele momento era virar o assunto principal delas e do colégio. E lhe pareceu que em todas as quatro aulas antecedentes ao intervalo as duas ficaram sentadas ao lado, atrás ou a frente dela. Agora só faltava Aimée ficar com mania de perseguição, mas não era engano seu. Elas jamais se aproximaram mais do que um metro e meio e aquela situação estava ficando detestável. Porém durante o intervalo Aimée refugiou-se nos fundos da biblioteca, bem perto do almoxarifado reorganizando seus papéis e sua mente até soar o sinal da saída. Não havia ânimo para a aula dupla de redação, então esperou que o tempo se arrastasse até que pudesse sair do colégio sem ser notada.

Quando pôde colocar os pés para fora do ambiente escolar sentiu-se aliviada. Atravessou a avenida movimentada e sozinha percorreu o caminho de volta a casa. Ela estava matutando alguns planos maquiavélicos, mas ela, sinceramente, não era boa naquilo. Parecia até impossível arquitetar uma vingança e pô-la em ação. Entretanto, vingança não passava pela sua cabeça e naquela situação ela não conseguia ver outra saída até lembrar-se da agenda de Olga. Sim, a agenda-diário dela! Talvez, fosse um caminho perigoso a seguir, contudo ela sempre escrevia nele e sabe-se lá o porquê seria muito útil, ainda mais se Olga desvendasse alguns de seus segredos infames e evidenciasse seus defeitos. Como as duas eram diferentes até nisso - Aimée desenhava para afagar as dores e alegrias e Olga as escrevia.

Ao chegar, Olga já estava sentada à mesa junto com a mãe. Ambas a olharam e reagiram diferentemente – Léa com um sorriso estonteante de mãe e Olga com o desprezo típico estampado apenas no olhar. E antes mesmo de juntar-se as duas, Aimée foi até o quarto deixar sua mochila e após trocar-se retornou à copa. Ela tinha tudo em mente, se Olga saísse naquela tarde, ela iria entrar no quarto da irmã e procurar o bendito, ou maldito, não sabia bem, diário. E assim o fez...

Olga conseguia sempre persuadir a mãe e essa sempre recaía aos pedidos da filha mais velha. Olga realmente enfeitiçava as pessoas; não possuía medo de destruir o casamento dos pais e isso nem se ela fosse o motivo pelas constantes brigas entre os dois. Aimée revirou o quarto de Olga e tentou deixar tudo no devido lugar, porque sabia que a qualquer deslize poderia ser acusada, ou não, já que a empregada levava a culpa quase toda quando alguma coisa sumia. Era de praxe a própria Olga pegar algo da mãe e colocar a culpa em uma das coitadas. E, agora, Aimée aprenderia a utilizar da mesma tática da irmã.

Para a sua felicidade Olga era mais tonta do que ela pensava. O diário fora encontrado embaixo do colchão num fundo falso, onde o próprio Emanuel mandou fazer para que cada um pudesse guardar suas coisas de valor estimado e trancado com um cadeado. Porém Olga uma vez perdera a chave e quebrou o cadeado e nunca pedira outro ao pai. Então a tal caixa (o fundo falso) ficou sem proteção e ela apenas guardava seu diário ali. E se ela não escrevesse nele todos os dias nem sentiria falta. Aimée não queria ficar com ele para todo o sempre a chantageando, seria apenas um pequeno susto para que ela não voltasse a fazer o que fazia.

Vou tentar publicar um capítulo por semana, ou não. Algo a criticar, reclamar ou elogiar deixe como comentário, ok?! Acabei caindo no clichê do "diário", mas... Como cada um é único esperem no que vai dar. Só para atualizar aqui: fiquei em 2º lugar no BK e em 3º no O.U.A.T. mega feliz! (:
Beijo pra quem é de beijo.