Capítulo 5 - Dúvida

Mabelle com seus dezenove anos conhecia bem a arteira Olga e melhor do que ninguém a encobria em todas as enrascadas as quais ela se metia. E ao ver Aimée ali, sentiu um calafrio percorrer o corpo e antes mesmo de se aproximar da cama, encostou e fechou a porta; acendeu a luz do quarto e direcionou algumas perguntas simples à menina:

- Aimée, porque você estava com a porta aberta? Você normalmente fica no seu quarto. Porque você está chorando? Olga tem culpa nisso, não tem?

E ela permaneceu num silêncio lúgubre. Quando Mabelle viu a pele dos ombros dela despidos, sentiu as pernas cambalearem e imaginou as perversidades que as paredes daquele quarto presenciaram... Durante uma hora, Mabelle ficou aninhando-a em seus braços, e acalentando-a com palavras sinceras e encorajando-a a sair dali que deixasse ser cuidada devidamente, porém não conseguiu arrancar dos lábios de Aimée quem foi o rapaz que fizera tudo aquilo com ela.

Recordar do infortúnio foi mais doloroso do que os minutos que passaram com ele; ela sentira duplamente a náusea que as lembranças causavam-na. Ao se levantar lastimava-se pelo corpo impuro. Mas não se queixou em voz alta apenas em pensamento e uma vontade enorme de estragar com toda a falsa felicidade da irmã.

Mabelle a levou para sua casa e de lá ambas tomaram a atitude mais sensata a se fazer, ligaram para a polícia e cerca de trinta minutos depois, o número de Olga iluminava o visor de ambos os celulares - ora o celular de Aimée, ora o celular de Mabelle tocando insistentemente.

Quando o sono começava a bater sobre o corpo e a mente fracas de Aimée, o telefone da casa de Mabelle tocou e para o espanto dela, o número no identificador de chamadas era o pai dela, Matheis, – estranhou, afinal, ele estaria com os pais de Olga e Aimée. E para seu espanto seu pai lhe ordenou que não deixasse ninguém tirar Aimée de lá, pois pela manhã todos estariam de volta à cidade, e durante aquela madrugada Olga permaneceria na cadeia provisória da delegacia e no dia seguinte o advogado da família tomaria as decisões cabíveis à situação. Ao contar isso a Aimée ela pareceu mais aliviada, porém, nos pensamentos Aimée divagava denunciar Denny. Ainda não tinha certeza e temia por sua segurança, se ele foi capaz de violentá-la poderia ir muito mais além...

Partes: 1, 2, 3 e 4.
Vou tentar terminar logo isso, prometo. E também posto e indico os selos que recebi.
Beijo pra quem é de beijo!

Pertencem a mim

Palavras não bastam para descrever o silêncio que habita em mim. Lá fora o vento gélido bate contra a janela e faz-me esmorecer. Nesse inverno o frio veio me aquecer, porque fico aqui acolhida entre meus lençóis a divagar. Se é que o tempo me permite sonhar...

Quem me vê assim pensa que sou apenas flagelo, por carregar cá dentro um caminhão de amor não correspondido, lágrimas por múltiplas infelicidades e saudades. Mas não se engane, sou pequena demais para querer sofrer demasiado. Decerto passei por grandes perdas, porém as dores amenizam. Ao querer ver as cicatrizes olha-me nos olhos e procure algo comparado à imensa neblina da aflição, não encontrará, pois o que lhe interessa está sob a superfície – meu olhar sempre a sorrir.

Por um desvario agora entrego-me às palavras; as deixo lerem meu pesar mesmo que pareçam sem sentido, sem vigor, sem beleza... Não me importo. São minhas e não as atire contra mim. Desfaço-me em pedaços após a queda, mas elas escutam o murmúrio do silêncio, o frio, o vazio e aquela sensação a qual não sei o nome passeando como fluído pelo meu corpo anestesiando a dor.

E o meu olhar continuará sorrindo e as palavras ainda me pertencerão, enquanto eu estiver caindo da altura de um prédio.
Que texto sem noção, quase que um desejo suicida. Mas eu li a tradução desse música que postei junto com o texto e fiquei ouvindo consecutivamente deu nisso. Mas algo aqui dentro precisava ser aliviado. Dessa vez participo do In Verbis. A outra história não vai ter continuação, não, meu povo. rs
Beijo pra quem é de beijo.

Ester

Eu ai participar do In verbis (com o texto passado fiquei em 1º lugar, muito feliz), mas como achei meu texto bem bobinho dessa vez, vou postá-lo só para não ficar sem atualização por mais uma semana, aqui vai ele...

- “Vou te contar como tudo começou...”

Recordo-me da sensação que causava essas palavras quando Ester as pronunciava. Porém, jamais vou esquecer-me daquela tarde de outono em que roubaram o brilho dos olhos meus.

Ela, toda encantadora, dona de um corpo juvenil de formas arredondas da pele chocolate, par de olhos castanhos claros incomuns e cabelos de mola curto, sempre me aparecia com o sorriso mais largo a enfeitar meus dias. Com longos anos de amizade verdadeira, confidenciava-me seus sonhos, arrependimentos, medos... E somente no auge de meus dezessete anos, cursando o terceiro colegial e com minha pseudo-vida-amorosa indefinida deparei-me com o fantasma do ciúme. Contudo, impugnei-o como quem luta com “o Grande”.

Em mais um dia normal, ela aproximou-se de mim com um olhar tímido e mordiscando o lábio inferior e eu apenas a observei, ri e questionei:

- Uhm, bonita, o que me conta pra estar com essa carinha?

E ela apenas arqueou a sobrancelha, tentou mudar a fisionomia para séria e negou:

- Nada, por quê?

Simplesmente bufei fingindo falso tédio e respondi:

- Ah, e que agora você fica feliz e não posso mais nem saber o motivo...

Olhei-a sentar ao meu lado e quando virou o rosto para me fitar a percebi ficar sem jeito para dirigir-me a palavra. E então articulei baixando o tom da minha voz sem querer provocar mais embaraços:

- Você quer me contar algo, Ester?

- Quero, mas não sei se devo – informou-me olhando para os próprios pés com um jeito de menina arteira.

E lha assegurei:

- Você sabe: se for segredo... Sou seu melhor confidente – afirmei com evidente orgulho.

Ela pareceu morder a própria língua, tampou a boca com a mão, encarou-me por longos segundos e, quando finalmente resolveu me contar, pediu:

- Não vai rir de mim, promete?

Diante de tanto melodrama, se eu negasse, seria corroído pela curiosidade e então prometi:

- Prometo!

Ester pressionava os lábios um contra o outro quase que em tortura até que a vi retomar o fôlego e me confessar:

- Estou apaixonada; enlouquecidamente a-pai-xo-na-da!

Aquilo mais me pareceu um nocaute após um soco no estômago, onde minhas vísceras logo seriam cuspidas jorrando sangue. Não foi exagero, mas senti que se não tivesse sentado iria cair. Fiquei-a olhando fixamente por alguns milésimos de segundos até que ela notou minha expressão e perguntou-me:

- Então, o que você acha?

Eu teria que falar, porém continuei desconsertado e até que a voz retomasse a laringe, fiz um movimento lento levando a mão ao queixo, fingi analisar as quatro palavras que me foram ditas e concluí fazendo cara de espanto:

- Você fez drama por causa disso? Ah, Ester pensei que fosse algo sério.

- Então... Você não acha isso uma tolice? – Arguiu confusa.

- Não, aliás, quem é? É conhecido? Conta-me – aclarei, enquanto ela dispunha seus materiais no chão e cruzava os pés para ficar frente a frente comigo.

- Vou te contar como tudo começou...

Logo coloco em dia a leitura dos blogs e respondo os comentários!
Beijo pra quem é de beijo.

E senti;

Eu olhei o céu e senti a bruma do inverno apoderando-se do brilho intenso do pôr-do-sol dando boas-vindas à noite. O tom azul e límpido do céu da Capital banhado por cores de Almodóvar. E a leve brisa tocando-me a pele do rosto fazia-me ficar com nariz e bochechas enrubescidas e ressequidas pelo frio.

Entre as pedras e o farfalhar das árvores da colina todas as tardes buscava a calmaria para que, logo mais a noite, as tristezas não me sucumbisse com toda a voracidade. Era necessário ao menos minutos para lembrar-me de quem eu era antes de você... Quem sabe assim voltava a aprender a viver sem você. A plenitude que tal ambiente me proporcionava era incomparável.

No começo, deixava que as lágrimas pronunciassem meu desespero só para achar meu ponto de equilíbrio – um momento somente meu entre o rancor e amor, brigas internas – as quais aos poucos perderam a força. Como se fosse um reencontro entre corpo e alma, ou quiçá transcendia ao desconhecido.

E naquela última tarde, permiti-me a despedida – entre o velho e o novo eu. Eu olhei o céu e senti...

Pauta para um novo projeto: In Verbis. Escrevi, porque estava bem sem ideias para postar algo e ontem estava olhando o céu de Brasília não há palavras para descrevê-lo. E, logo mais, continuo com o conto. E conheçam o Palavras Mil, quem não conhece.
Beijo pra quem é de beijo.

Capítulo 4 - Inocência Tocada

A mão pesada e larga de Denny a machucava e quanto mais tentava desvencilhar-se dele maior era a pressão de seus dedos no braço delicado de Aimée. Por se concentrar, única e exclusivamente, na mão dele parecia que sua necessidade infindável de gritar não vingava, porque da garganta sequer um a saíra. Aos poucos foi perdendo as forças e com as pernas trêmulas tinha a impressão de que Denny a arrastava pelo amplo corredor. Esbarrando-os em uma dúzia de pessoas sem nem repará-los. O olhar de Aimée era de suplicio, contudo ninguém o notou.

Ele entrou no segundo quarto à esquerda, empurrou a porta com violência e ordenou que Aimée permanecesse em silêncio, enquanto ele terminasse de fazer o que ele tinha pra fazer...

Aimée encarou-o com fúria, custou a reunir suas forças novamente e partiu para cima dele - a chutes, pontapés e com as unhas compridas arranhando-lhe os braços e rosto. Porém de nada adiantou. Parecia até que aquela súbita ira o atiçava, excitava. Ele, por sua vez, apenas segurou-a pelos antebraços e a derrubou na cama de casal. Só houve tempo de assustá-la ainda mais. Deitando-se por cima dela segurando novamente os braços e inclinando-se levemente para frente provocando-a. O hálito forte de álcool penetrou as narinas de Aimée que logo tossiu fazendo-a virar o rosto para o lado. E ele sussurrou em seu ouvido o que ela temeu nos últimos minutos: - “Você será minha por essa noite, princesa.” O inevitável estava acontecendo... Ela desistira de lutar, afinal, só ela se importava consigo, ninguém sentira pena dela nem a própria irmã – se é que Olga podia ser chama de irmã.

Denny tirou a própria blusa e aproximou-se dela, forçando-a a beijá-lo na boca. Seu gosto era horrível e abruptamente seu corpo era entregue a ele de forma impetuoso. As vestes de ambos foram parar no chão e ela tentava permanecer com as pernas cerradas chorando em silêncio, enquanto ele forçava o membro rijo a tocar sua inocência. O corpo dele era esguio com tônus muscular em seu um metro e oitenta e dois centímetros de pele alva e cabelos lisos escuros - e agora ele estava sobre o seu, esmagando-a e desejando-a insanamente, rasgando-lhe o véu.

Quando ele terminou pareceu cair em si. Vestiu-se rapidamente, não olhou para trás e fugiu. Algumas pessoas passaram pela porta e viram Aimée deitada, encolhendo-se no lençol manchado e suado. Quando Mabelle, uma amiga de Olga de infância também, adentrou no quarto escuro e viu que quem estava na cama era Aimée aos prantos.
O significado do nome condiz com a pessoa? Veja:
Aimée: a amada
Olga: santa.
Mabelle: minha querida.
Beijo
pra quem é de beijo!

Capítulo 3 - Preâmbulo

As vagas lembranças daquele primeiro contato com os rapazes do colégio ainda fazem Aimée sentir-se uma completa idiota e todos os sinônimos cabíveis para si em tal situação. Pelos corredores do colégio quando os encontra é óbvio que ela ao menos consegue lhes encarar. Mas recordar-se do motivo em especial que a fizera revoltar-se naquela noite é como recomeçar a sentir o estômago embrulhar-se e os sentimentos revoltando-se à flor da pele...

Em flashes repassa todas as cenas: as gargalhadas de Olga, a irmã mais velha e os amigos no cômodo ao lado ao som de músicas de letras ininteligíveis e ritmo ensurdecedor... Apenas ao retratar assim parece sutil do que verdadeiramente estava acontecendo.

Olga com dezoito anos possuía um comportamento típico de menina americana desses filmes apelativos, e se ela não conhecesse a peça em pessoa e alguém a descrevesse para si diria no mínimo que era mentira. Porém sim, ela existia e era uma versão do demônio de saia. Continha a mesma beleza de Aimée, somente com o cabelo preto, liso e curto e os olhos cor amêndoa; e de personalidade bruscamente inversa a de Aimeé.

Naquela quarta-feira, os pais de Aimée iriam a uma viagem de negócios na cidade vizinha e ambas ficariam sozinhas. Olga sempre se aproveitava dessas situações para ajeitar uma festinha particular e levar consigo os amigos pervertidos, os quais Aimée detestava. Todos a queriam ali por perto, contudo ela trancava-se no quarto, ligava o som no máximo e colocava os fones de ouvido, concentrava-se nos mundos que queria para si e por vezes, ficava desenhando, perdida em sua imaginação até que o sono batesse e já cansada caísse desmaiada na cama.

Todavia naquela noite em especial, ela não estava a fim de suportar a mesma coisa, pois no dia seguinte ainda teria aula. Logo, resolveu dar uma espiada pela casa e tentar convencer Olga a desistir da ideia e dispensar a trupe barra pesada. Mas aos primeiros passos dados rumo à sala viu que os primeiros convidados encontravam-se bem altos – um casal se pegava forte no sofá e um pseudo – skean head preparando cocaína injetável. Observando aquilo Aimée sentiu um calafrio pela espinha dorsal e disse para si: “Se ela não concordar eu saio de casa, chamo a polícia e só apareço depois que os meus pais chegarem”.

E como previra a conversa não foi nenhum pouco amigável. As duas trocaram farpas até Aimeé cansar-se e sentir uma beliscada no bumbum. Quando se virou e viu que era Denny, um amigo de infância de Olga cuja mãe de ambas era apaixonada e o nomeara “o genro perfeito”, bufou de raiva e olhou-o quase que pedindo piedade. Quem sabe ele não convencia Olga e todos ficariam felizes – doce sonho. Na tentativa de iniciar o diálogo com Denny ele inclinou-se para frente, e tentou beijá-la na boca e acabou passando por um fino se ela não tivesse desviado. Era isso, não tinha jeito... Enquanto ele ria de si mesmo, segurou o braço de Aimée e pediu desculpas. Ela sabia que não havia mais o que falar com ele, porque todos ali eram uns babacas dispostos a tudo para viver uma vida regada a sex, drugs and rock’n roll.
Espero agradar! :D
Beijo pra quem é de beijo.