Soldadinhos de Chumbo, Chapéus de Papel

Da cozinha, enquanto enxugava algumas louças, o observava chegar todos os dias no mesmo horário e da mesma forma. Abria a porta da frente calmamente, lançava-me um olhar como cumprimento e arrastava o corpo de porte alto nos velhos sapatos de couro até a poltrona, onde se jogava pesadamente. Como me era familiar...
Os olhos cor de mel ganhavam um tom sóbrio e forte quando cabisbaixo ficava, a boca rosada formava um pequeno beiço, as narinas inflavam-se euforicamente ao respirar, o cenho enrugava-se e os cabelos finos escuros pendiam para frente. Sim, lembrava-me direitinho, nosso pai. E desde seu falecimento Érico não fazia nada alegremente, vagava como um moribundo pela cidade.
Sentado a mesa comigo não pronunciava sequer uma palavra e eu em tentativas frustradas de convencer-lhe a sair, distrair-se, amuava-me. Então, levantava-se quietamente, dirigia-me meia dúzia de desculpas e promessas de mudanças e ia para o quarto. O qual se trancava e como um guri de dez anos de idade concentrado transformava papéis em chapeuzinhos de soldado. Antiga mania de Heraldo, soldado do exército aposentado, nosso falecido pai.
Na estante de seu quarto, Érico fazia questão de organizar todos seus soldadinhos de chumbo ganhados quando ainda era criança e lhes dava ordens e tornou-os seus fieis amigos. Confidenciava-lhes segredos, intimidades, saudades. E eu ao escutá-lo detrás da porta apenas chorava... Por ele, pela saudade e por mim.

P.S.: Não sei o que dizer sobre o texto, apenas o imaginei e escrevi. (Sendo sincera ;x)
Beijo pra quem é beijo.

Um zero dois: a vida dança

Ensinaram-me que ao movimentar os pés não basta para saber dançar; os contratempos quando contados manter-me-iam no compasso da música; e ao sentir a música vibrar por meu corpo meu quadril remexer-se-ia sedutoramente; se meus olhos não permanecessem fixos em meu parceiro no rodopio tonta ou fora da linha ficaria; e nossas mãos tocariam reciprocamente os corpos...

Logo os comparei à minha vida: não me basta saber andar se não sei aonde quero chegar; os infortúnios ocorrem para que eu não mais erre; como um jogo de quadril aos outros tenho que cativar; e se focada eu ficar, dos caminhos e sonhos meus não irei desviar; a vida é um dar de mãos contínuas – para manter-te na trilha e a cada tropeço ter alguém para levantar-te.

P.S.: Vai dançar sozinho ou acompanhado? Nós sempre podemos escolher... (;
Beijo pra quem é de beijo!

Apenas mais uma de amor

Perdido, abandonado, me encontraste sentado na esquina a qual possuía um boteco, desses onde se encontram perdidos e maiores abandonados, embriagados de lucidez. Estavas tão linda: tua pele alva coberta pelo vestido xadrez na altura nos joelhos, cardigan bege, e os teus cabelos ruivos lisos jogados sobre os ombros e nas mãos uma cesta de rosas vermelhas.
Levantei-me cambaleando, enquanto oferecia-me ajuda. Ajuda? Talvez... Só notei seus gestos, não ouvia nada, somente sinos. Serás uma anja? Teus olhos sorriam para mim, mas eu petrificado fiquei. E partiste mais cedo do que esperava. Não sou dessas coisas, porém deixaste cair uma das rosas ao chão e dela fiz minha, assim como tu fosses ela.
Em casa a coloquei sobre o móvel ao lado da cama e a achei sem vida, murchando aos poucos, e decerto tu estarias assim se fosses minha, porque sou fraco e tolo, incapaz de deixar-te vívida. Devaneando adormeci lembrando-me do teu todo: jeito, cheiro, rosto e corpo. Deveras te procuraria, mas...

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer (mas isso vai doer)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber.
Lulu Santos

P.S.: Texto para o Postagem Coletiva.
Beijo pra quem é de beijo!

Dois mundos dentro de um ser

Há muito o homem vem causando sua autodestruição e, aos poucos e ferozmente, a natureza em resposta o ataca sem piedade. O caos instalou-se na Terra, porém dentro de si resgata o oposto da ambição e da busca incessante de ser feliz para poder viver, encontrando a força na fé para continuar a viver; sobrevivência.
Cresceu, evoluiu-se, mas interiormente está em constante mudança, porque as circunstâncias transformam-no. Das palavras dos grandes sábios tomam como suas para acreditar num futuro melhor. E se abalados gravemente, como estas que ocorrem casualmente, ou por obra do destino, respostas naturais, retornam às suas essências que o torna mais humano: emoção e razão. Quanto mais distintas, fazem-se tão próximas no desespero e na aflição. É o pensar e o sentir unido por uma só questão: sobreviver!
Reconstrói-se. E por mais que pareça clichê: crê que em todo fim há um recomeço. Esquece-se do egocentrismo – do “amor-próprio-egoísta” – para amar o próximo. Doa-se, porque ao saber que está sendo útil a maior recompensa será ver outras pessoas em vida felizes, mesmo que sozinho esteja. E a superficialidade dos itens materiais não mais importa, pois estar vivo e passar a ser – em carne e osso e sentimentos – é o principal para que o recomeço faça valer a pena.

P.S.: Não poderia comemorar a 100ª postagem de forma melhor do que escrevendo para essa pauta, muito bem escolhida, do BK. A mensagem que quero dizer está bem óbvia: solidariedade, amor e respeito. Talvez, agora é a hora do Haiti se reerguer. E outros tantos lugares que sofreram por algo parecido.
Beijo pra quem é de beijo!

Há explicação?

Expostas: minhas palavras, tuas feridas. Tatuadas sobre a tua pele, apenas lembranças; sob a mesma sangra – latejante dor que não se esvai e impossível de apagar-se. A tua nova amada agoniza por não conseguir esconder meus versos com os dela, que nem a ela pertencem. Estupidez. Não esperei teu adeus e agora tu sustentas tuas fantasias de que será como outras tantas vezes... Que voltarei.

Não me preocupa a despedida não recíproca, mas o amor escancarado que ainda exprimes e os meus versos à mostra para todos, há explicação? Pois tudo permanece intacto como havia entregado a ti. Se não fossem minhas tentativas de esfregar a carne ensangüentada não saberia do teu paradeiro: encontrei-te incompleto por não ter-me. Mesmo com teu discurso falso e impróprio de “ela valoriza-me”. Espero que cures e tu vivas – e se com um leve vazio ficar e resolver me espiar saiba que teu pedaço sou eu.

Às vezes, confusa fico e por querer-te demasiado, pesadamente a verdade sempre me toma. E do meu seio, o coração quero arrancar e para todo o fim, ou seja, lá, para ter o meu fim quero sentir de vez a dor cessar.

P.S.: E como é admitir que fuçou a vilha alheia e ver com os próprios olhos que palavras ditas no "ápice do amor" não foram apagadas, justo num local onde todos podem ver?! Confuso. Estranho. Eu queria saber, se é que me entendem. Para mim era quase, só quase, águas passadas... E agora isso. Ninguém merece. Não mesmo. Somente um desabafo, hoje. Se não é amor, é loucura, é fixação. :S
Beijo pra quem é de beijo!

A linha

Lembra-se quando lhe disse para ficar do outro lado da linha? O mundo brigava sem mim. Enquanto, debulhava-me em lágrimas, todos gritavam e não entoavam meu nome. Meu andar tornou-se descompassado e em sentido inverso ao das outras pessoas; e as minhas palavras quando faladas não eram audíveis a mim nem a ninguém, logo, fique amuada e muda. Cessei a disputa que insistia dentro de mim.
Você fez tudo isso acontecer: transformou-me em descolorido atípico. E eu agora só quero permanecer desse outro lado da linha: em minha transparência colorida de verdades, sem fragilidades, ser percebida.
♪ “Ambos sabemos que acabou, fim da linha”
Jesse McCartney – It’s Over (tradução)
P.S.: Hoje, sem conto ou crônica, só algo íntimo.
Beijo pra quem é de beijo!

O Julgamento Final: Diabo Vs. Anjo

Se eu era para ser condenada que tivessem provas suficientes. De um lado o Diabo todo alvoroçado profanando palavras chulas contra mim, do outro o Anjo com expressão lívida aguardava sua vez a testemunhar em favor de minha salvação. Danação ou salvação... No centro sentado em sua poltrona de ouro Deus movimentou a mão permitindo que eu começasse a falar. Logo, dei início ao meu argumento:
- Eu sei que não tenho sido muito inteligente por meus atos, mas a culpa é toda dele, Deus! – E apontei para o Diabo a esquerda. – Ele me atenta, transforma meus pensamentos, e bom... Creio que desde sempre ele é quem insiste em perturbar minha mãe. – O Diabo olhava-me com ira nos olhos chamuscando brasas de fogo e de sua boca cuspiam a mim seu veneno. – Quando eu era pequena minha mãe me comprava apenas mimos, coisas de mãe de primeira viagem; passado algum tempo já no colégio ela me dava presentinhos para compensar minhas boas notas. Mais tarde na adolescência, preocupei-me em ter para ser, queria tudo o que estava na moda, sentia-me bem sendo assim, ou, aliás, tendo. Nas vitrines os manequins sorriam descaradamente para mim e não me importando com o preço de tal artigo me custaria, eu queria possuí-lo. E se os meninos me davam agrados e dependendo de sua utilidade poderia até namorá-los simultaneamente, e não pelos sentimentos, sim, pelo valor de seus preciosos presentes! Esqueci de ser humana só para ter.
Deus olhava-me atenciosamente e meu Anjo, sorria alegremente, talvez estivesse feliz por eu ter admitido meu erro e ter mostrado arrependimento. Então, dirigiu-me com severas palavras:
- Liz, olhe para ele, com essas vestes mundanas disfarça-se e está ali para lhe provocar. Ele é a Avareza, um dos pecados capitais mais cometidos por vocês, humanos. Admira-me você ter contato tudo. Mas, infelizmente, você poderia ter lutado contra esse Diabo! Entenda: quando morrer, ninguém, e nada será enterrado contigo. Dessa vida não se leva nada! Você poderá comprovar quando fizer parte desse Outro Mundo.
- Como assim? – Estranhei.
E de súbito o telefone tocou e eu despertei. E aquilo tudo fora tão real. Acho que tenho uma chance para me redimir com Deus e meu Anjo.

P.S.: Participando do BK depois de muito prometer. Através de narrativa espero agradar ou a gregos, ou troianos... ;P
Beijo pra quem é de beijo!

Dois olhos negros

Os ladrilhos da pequena cidade eram os mesmos e os costumes de interior permaneceram, mas as faces conhecidas já não vagavam por entre as ruelas.
Palpitava forte meu coração ao fincar os meus pés naquele solo. Sentia-me deslocado e sabia que ninguém mais me reconheceria. Meu mundo era outro. E por tantas vezes desejei não mais voltar ali. Pisava em espinhos e imaginava que minha Flor não tinha esperanças do meu retorno. Mas não me assustaria se ela não soubesse que era minha Flor...
A recepção em casa fora das melhores. De lágrimas, sorrisos, abraços apertados e beijos na face - não havia de ser diferente. Porém eu esperava que me deixassem respirar um pouco ou oferecem-me para ir ao meu antigo aposento, porque seria o suficiente para eu pular a janela e correr pelos fundos da casa a procura de minha flor. Como ansiava o nosso encontro. Cresci e guardara comigo todo o meu amor por ela.
Sem delongas deixaram-me sozinho por um instante. E aos poucos fui adentrando o casarão, que nada mudou, a não ser pela minha foto emoldurada que mamãe expunha na sala de jantar ao lado dos doutores da família. Ri comigo mesmo, só mesmo ela para exaltar-me de tal maneira. Corredor amplo que dispunha de mais fotos e quadros, velhas recordações. E passando para a cozinha surpreendi-me com tal visão. Uma negra baixinha de ancas grandes e largas; cabelo solto crespo enlaçado por uma grossa faixa rosa; vestido de alças finas deixando os ombros bem definidos a mostra, branco, rendado na barra e curto, encontrava-se de costas mexendo o tacho no fogão a lenha.
Por um segundo senti que me faltou o ar nos pulmões e meu coração quase rompera meu peito a fora. Ela não se movimentou um centímetro e somente expeliu de seus finos lábios inclinando a cabeça para o lado o meu nome:
- Caetano?! – E então se virou por completa e encarou-me.
Aqueles dois olhos negros expressivos e inquietantes pertenciam à mesma dona, mais linda, mais robusta e mais... Mulher!
Num solavanco ela abriu os braços e foi de encontro a mim. E naquele dia, convenci-me que meu lugar era ao lado dela, em qualquer mundo.

P.S.: Beijo pra quem é beijo!

Enfrentando desertos

Retiraram-me do abismo, a claridade ofusca minha visão e minha mente sente-se tocando o vazio. Sou como o deserto: quilômetros de nada, areia, e manifestação de luz escaldante e penetrante. Ou como “O Mito das Cavernas”: separaram-me da realidade. Sou humanamente frágil e manipulável.

Nesse deserto andei aflita, encontrei-me com a solidão que me apertou a mão e entregou-me à liberdade a qual nada fiz. Minha essência é racional impregnado de um ser invisível nomeado Deus fixado a sentimentalismos. Oferecem-me a fé e nela acredito. E tantas outras coisas eu acreditei...

Os quilômetros trouxeram-me o vazio. Meus pensamentos não mais tocaram o chão e tornaram-se livres para voar. Fluíram e buscaram por respostas dignas do meu ser existir, porém encontraram apenas omissão – não encararam bem a verdade, pois são dolorosas, e não aceitaram as mentiras por não serem plausíveis.

Dessas minhas emoções, dádivas e sofrimentos, eu as abandonei. Decerto, as senti em meus lábios por muito tempo: doces, amargas e agridoces. Então, aos poucos, as controlei, as contemplei e uma a uma, matei-as, sabendo o por quê. Lembrei-me de cada olhar, cada vibração que trazia a mim e, principalmente, das que foram contra de mim cujas me transformaram. Provando de seu próprio veneno, derrubei-as.

E meu peito em retalhos fez-me vazia.

Morri lentamente debaixo daqueles sóis do deserto só para a vida resplandecer. Retiraram-me do abismo, a claridade ofusca minha visão e minha mente sente-se tocando o vazio. Preciso reaprender a viver!


*P.S.: Há muito esperava que minha mente espairecesse para escrever um texto como esse. Espero que gostem. O engraçado é que estava lendo e "cabum", rabisquei num caderno as primeiras frases enquanto o computador ligava e, rapidamente, cada palavrinha surgiu! E obrigado pessoal pelo carinho que tenho recebido por esses últimos posts, estou adorando e visito cada espaço como se estivesse entrando na casa alheia que merece respeito por cada palavra que exponho nos comentários. Bom, lay novo - depois de uma tarde doida com Yasmin e Ericona!
Beijo pra quem é beijo!

Foge mulher!

E mais uma vez tudo se repetia. A campainha tocou insistentemente naquele dia, era Nina de doze anos de idade, filha de Maria, a vizinha. Chorava compulsivamente e eu entendia bem o porquê.

Antônio, seu pai, chegava bêbado todos os dias. Bebia para esquecer os problemas, fazer farra ou até mesmo quando não tinha motivos, encontrava algum para se afogar na “manguaça”. E como se não bastasse a bebida, vivia jogando, gastando o pouco dinheiro que Maria conseguia com as diárias que fazia.

Ofereci meu lugar no sofá e enquanto afagava-lhe os cabelos, pesadamente eu respirava. Não suportava mais vê-la daquele jeito. Escutávamos os ruídos dos móveis velhos sendo arrastados e o estardalhaço que os objetos faziam ao serem arremessados contra a parede e ao chão.

Nina falava entre soluços e gaguejos:
- Não quero mais ver ela assim, tia. Ela não merece!

E não merecia mesmo. No início, Maria ainda lutava contra as mãos ferozes do marido, mas aos poucos fora perdendo as forças e com isso, a vontade de viver. Parecia que queria morrer ali. E Nina afirmava que a mãe era uma doida varrida de amor pelo marido. Que amor era aquele... Que destrói os sonhos e deixa marcas pelo corpo?! Não havia desculpas para tal atitude.

E eu mais uma vez tentava convencer a menina a deixar-me ligar para a polícia, porém era guerra vencida. Ela tinha medo que o pai não fosse preso e voltasse para casa com ainda mais raiva das duas.

Como sempre, ela voltava para casa com alguns doces que minha mãe lhe dava quando as coisas se acalmavam por lá. Mas naquele dia... Ah, se eu tivesse chamado a polícia...
¹P.S.: Denuncie! É isso que tenho a falar, hoje, com esse meu post. Texto fictício, mas que existe em qualquer lugar. Meu primeiro aviso é para mulheres: não aceite qualquer insulto ou "tapinha", uma hora a coisa se descontrola e só Deus sabe onde vai parar. Segundo: se ver alguma mulher em apuros não meta-se a valentão (a), chame a polícia. Terceiro: se acompanha algum caso de violência contra a mulher, tome uma decisão pela vida de outra pessoa, ou o problema pode tomar proporções maiores e irreversíveis. Ligue: 180.
²P.S.: Texto inspirado pelo post do blogueiro Cafa.
Beijo pra quem é de beijo!

Seu Zé

Fincara os pés na Capital do meu Brasil há muito tempo guinchando sonhos pelas estradas. Construíra mansões àquela gente rica, limpara o chão para que as mesmas passeassem e cuidara do jardim para deixá-las mais alegres. Em troca ganhara alguns palavrões por ter quebrado tijolos num escorregão, cuspidas nos pés, pois as palavras embebiam as falcatruas e daquelas rosas que plantara foram despetaladas por romantismo barato.
Em meio à multidão, era apenas mais um Zé vindo do nordeste brasileiro e tendo seus anseios cada vez mais escachados nos discursos dos senhores...
- Coitado daquele que ainda acredita neles! Pobre coitado daquele que nada faz diante deles! – pensava Zé, acreditando estar de mãos atadas em mais uma fila a procura de um novo emprego que o fizesse sentir-se digno.
¹P.S.: Há muito tempo prometia mudar o rumo do que escrevo, não que o fiz neste texto, mas algo a se pensar: 2010 eleições e quantos "Zés" não têm por esse Brasilzão em busca de um emprego digno ou da felicidade nas capitais...
Beijo pra quem é beijo!

Àquele que partiu: adeus, ano velho!

O ano de 2009, aquele que partiu, deixou sérias reflexões para um momento de transição em minha vida. Foi o ano em que eu fui incitada a ver a verdade e, sobretudo, para falar verdades. Passei a ser mulher que se fere e levanta-se quando parece que há apenas “cinzas de rosas”. Há uns dias atrás, encarava como o pior ano da minha vida, mas foi o ano revelador; mostrou-me o outro lado da moeda... “Há sempre algo a aprender”. E eu aprendi.

Uma década de tropeços e cá estou sentindo-me bem. Pois tudo o que eu fizera não me arrependo, porque de nada adiantaria. Porém aprendi que ninguém está ileso ao arriscar-se. As adversidades foram imensas, e aprendi que continuarão sendo.

E hoje sei que tudo pode me mudar. Renasci? Digamos que sim. Pois deixei que o passado permanecesse em seu devido lugar, lá atrás, onde deve ficar. E seguir adiante!

O ano, a década, o dia de ontem que acabou fora de esclarecimentos e reflexões do meu verdadeiro eu. Pensar enlouquece, e enlouqueci, mas tudo em prol de encontrar o equilíbrio que a muito não via encaixando-se a mim.

Se me excedi nas palavras, desculpem-me, mas sinto a necessidade de deixar registrado. Aqui, onde todos são justos ao querer visitar-me e desfrutar do que escrevo, e que felizmente, só tenho a agradecer caros (muito caros) amigos blogueiros! Tornei-me fã de muitos escritores e poetas...

Espero que 2010 seja um ano mais que nota 10! Com o espírito de renovação, reconquistas, reconciliações, reconsiderações, recomeço... Que não faltem motivação e perseverança em vossos dias.

Mais poesias e alegrias neste ano que se inicia... Beijo pra quem é de beijo!
¹P.S: Texto inspirado, principalmente, no da @ -Ericona.