Comecemos pelo... final.


“Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim” - Tudo novo de novo (Paulinho Moska)

Não sinto aversão a finais... Porque ‘tudo na vida tem fim’. Nossas reações às situações e a própria vida tem um final. Só não encontramos mais motivos de acreditar em finais felizes. A vida é constituída do planejar, criar, investir, sonhar, desejar, querer, poder, conquistar, obter, sentir, viver... E um dia tudo isso acaba. Tudo isso passa. É típico do ser humano, do tempo. Assim que é a ordem das coisas.

Pessimismo (creio que um pouco), mas sempre começo tudo já pensando no final. Seja de uma amizade, de um sentimento, de uma tarefa a cumprir. Penso que se chegou ao seu curso final, poderá ter acabado tudo mesmo e o que tinha que ser feito foi feito, ou me pegou imaginando se algo ficou inacabado.

Sim há finais com atitudes inacabadas. E com finais inacabados, pois nem você mesmo, ou outra pessoa não entende o porquê do final. Já que o simples ‘adeus’ não explica nada. E é o que nos frustra e não nos permite seguir muitas vezes. Desacreditados em finais felizes, não é o mesmo desacreditar na felicidade. Por vezes a felicidade está no recomeçar.

Recomeçar requer: repensar, recriar, reconstruir... Nossas bases para reaprender a viver. Colocar um ponto final é ato para corajosos.

Apesar de não nascermos com dispositivos “pronto para aceitar o fim” conseguimos superá-los. É no fim que reavivamos a esperança; é ela que morre por último, não é? Pois então... Deixe-a entrar. E não tema o fim. É a única certeza daquilo que se iniciou.

E na morte também se encontra conforto. Entes queridos, amigos ou conhecidos tentam recomeçar. Perdeu-se um (a) pai/mãe, um (a) irmão/irmã, um (a) tio/tia, um (a) primo/prima, um (a) amigo/amiga e é na afirmação de como tal pessoa era, que nos fortalecemos para viver sem a presença do mesmo. Precisamos manter o percurso de nossas vidas com novos começos.

Superar ou determinar limites?

Muito se ajuda superando limites. Afinal, sem obstáculos a vida não seria nada. Agora não entendo quem determina limites sem nem ter enfrentado aquilo que tanto o amedronta.

Sábio é quem arrisca, e que por instinto sente o medo e diz a si mesmo que não conseguiu, mas que ao menos tentou. Esse sim determinou seu limite. Esforçou-se, mas fraquejou. Fraqueza também é virtude. Pois nos livra do sentimento de arrependimento pós-aventura. E que bate na mesma tecla... Tente! Se isso der forças para superar seu limite... Supere-se!

E mesmo quem supera talvez não volte a repetir o mesmo ato porque sabe do mal-estar que causa a si. Mas torna-se forte por ter enfrentado.

Limite nos da segurança para viver. É o instinto versus o intuitivo. Se ganha conseguindo superar, e se ganha mesmo tentando enfrentar.

Não aceitar-se homossexual.

Falam do preconceito àquele que é homossexual. E quando a própria pessoa não se aceita homossexual... O que fazer? Um colega meu é (tenho quase certeza), as pistas são tão claras:

1 – A voz não engrossou (18 anos na cara, será que ainda tem chances?);
2 – Ele nota detalhes mínimos sem nem ao menos você perguntar (não desvalorizando homens que notam, mas homens são ceguinhos pra isso);
3 – Opina no estilo, no cabelo, na COR DO ESMALTE das colegas; sabe o nome de marcas femininas e estilistas;
4 – O ‘x’ da questão: todos comentam de suas ficadas e afins, porém ele... Nada. Nem de ter “pegado minas” ou falando de homens... Mas, as encaradas que ele dá pra homens...
5 – A irmã e o irmão dele tiveram sucesso familiar (casaram e procriaram) e profissional;
6 – Os pais dele já são de idade, venho a crer que esse é o fator pra ele não se assumir e viver, já que veem a família de forma “tradicional”.

Diante de toda essa logística, o cara é ou não é homossexual?! Tudo indica que sim. Infelizmente, não tenho essa coragem toda de chegar e conversar com ele. Viver escondendo o que sente por medo do que os pais vão pensar, de como a sociedade vai o aceitar... O mais importante é você se aceitar do jeito que é. Pois só assim os próximos obstáculos serão ultrapassados com maior garra.
Viver de personagem, no faz - de - conta, e não na sua verdade, não é viver.
Se aceite!